Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

Entidades temem por tombamento de antigo Hospital Matarazzo

Complexo foi vendido para PUC-SP e grupos privados; fontes que atuaram nas negociações asseguram que aspectos históricos serão preservados

Daniel Gonzales, do estadão.com.br

01 Junho 2010 | 14h56

SÃO PAULO - A venda do complexo do antigo Hospital Umberto Primo para a PUC-SP e grupos privados provocou temores de entidades que lutam pela preservação e recuperação do complexo a respeito de sua preservação. De acordo com fontes que atuaram nas negociações de venda, no entanto, o tombamento, que é de 1986, será seguido à risca.

 

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Existem três níveis de preservação no conjunto. A capela é integralmente tombada, externa e internamente. Parte dos demais imóveis é tombada externamente - as fachadas deverão ser totalmente preservadas, mas reformas internas e adaptações poderão ser executadas.

 

A outra parte, composta por edifícios mais novos, como o do antigo setor de pediatria, é contemplada pelo chamado "tombamento volumétrico". Tal tombamento prevê que a construção pode ser totalmente alterada (ou mesmo substituída), desde que se preserve rigorosamente o volume de área construída.

 

Memória. O Hospital Umberto I foi inaugurado em 1904 por iniciativa da comunidade italiana de São Paulo. Em 1917, o hospital foi ampliado e aparelhado pela família Matarazzo, nome pelo qual o complexo ficou conhecido. O Conde Francisco Matarazzo, industrial paulista, doou expressivas quantias para a construção dos prédios. No início, apenas funcionários do Grupo Matarazzo eram atendidos. Com o tempo, abriu-se o atendimento para o público em geral.

 

A maternidade, considerada uma das melhores da América do Sul, abriu em 1943; o Hospital Matarazzo foi o responsável por iniciativas pioneiras no Estado de São Paulo, como a abertura do primeiro banco de sangue paulista. A família sempre apoiou o hospital, de maneira filantrópica, até 1986, quando os custos ficaram altos demais. Foi adotada uma gestão conjunta com o governo, que só durou até 1993 por conta da confusão administrativa.

 

Nos últimos dias, a situação era triste: com os salários atrasados, os médicos tinham que recolher o lixo . A interdição pela Vigilância Sanitária ocorreu em 17 de outubro de 1993. Em 1996, o complexo foi vendido para a Previ (Caixa de Previdência do Banco do Brasil), que tentou o destombamento da área, tombada desde 1986. Uma ação judicial impediu esse destombamento, em 1999.

 

Desde então, o complexo ficou semi-abandonado, sem uso. A licitação para a venda foi aberta há seis meses, e vencida pela PUC-SP em conjunto com um grupo de investimento.

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