Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Entidades fazem contratação cruzada para obter verbas

Instituição usou recurso para promover torneio com 20 times e comprou 40 troféus; acusados negam irregularidades

Demétrio Vecchioli , O Estado de S. Paulo

12 Março 2015 | 03h00

SÃO PAULO - A contratação cruzada também beneficiou aliados do deputado estadual Campos Machado (PTB). Yeo Jin Kim, filiado ao PTB por Machado, preside quatro entidades, de arco e flecha e tae kwon do, que têm dirigentes de outras duas instituições. Entre 2013 e 2014, essas seis entidades receberam R$ 6 milhões em 34 convênios. 

Parte da verba - R$ 305,5 mil, em dois dos convênios, para aluguéis de equipamentos de arco e flecha e de tae kwon do - foi usada para locar equipamentos da KI Sports, empresa que até 2012 era de Kim. O caso de Kim é investigado pela Controladoria-Geral do Município (CGM). 

O PTB e Kim negam que ele seja dirigente do PTB Esporte, ainda que a informação conste do site. O partido não respondeu se orienta seus vereadores e deputados a destinar emendas para as pastas de Esportes. Kim disse ainda não ver irregularidade na contratação de uma empresa que lhe pertenceu e admite que a proximidade com o PTB abriu portas. 

Em outro caso, o Instituto Paulista de Arte e Música (Iparte) realizou um torneio de futebol society com 20 times, mas comprou 40 troféus. Já o Futmulatas, um jogo recreativo entre as mulatas das escolas de samba de São Paulo, precisou de oito trios de arbitragem, duas ambulâncias, 120 lanches, 40 uniformes completos, com chuteiras, 60 medalhas e dez troféus. Vídeos disponíveis na internet mostram que não havia mais do que 15 musas em campo - nenhuma de chuteiras.

Em família. Além de contatos com políticos, há entidades cuja direção é formada por famílias, como o Instituto Esporte e Vida, presidido por Douglas D’Andrea. A associação assinou 11 convênios municipais (R$ 400 mil) para a campanha Juventude contra o Crack, do então vereador Jean Madeira (PRB), atual secretário estadual de Esportes. 

A entidade chegou a ser multada por fazer suposta promoção do secretário com dinheiro público. Criado em 2013, o instituto tem como diretores a mãe e a irmã de D’Andrea, a mulher e um filho de Bruno Crossi, o Bolão. Presidente da Liga Paulista de Futebol Feminino, ele subcontrata o Esporte e Vida para fazer segurança.

Bolão afirmou que seu filho e sua mulher fazem parte da diretoria da Esporte e Vida porque D’Andrea precisava de ajuda. Já D’Andrea disse que foi sua ideia criar o Juventude Contra o Crack e admitiu culpa pelo uso da verba para promover o agora secretário. “A gente erra, tem de pagar pelos erros.” 

Mais conteúdo sobre:
Campos Machado

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.