André Lessa/AE
André Lessa/AE

Enterro do Cabo Bruno, em Catanduva, reúne centenas de pessoas

Amigos e familiares acompanharam o sepultamento do ex-PM que ficou conhecido por integrar um grupo de extermínio que atuou em São Paulo na década de 1980

Roberto Alexandre - Especial para o Estado de S. Paulo,

28 Setembro 2012 | 17h36

CATANDUVA - O corpo do ex-policial militar Florisvaldo de Oliveira, 53 anos, conhecido como Cabo Bruno, foi enterrado no cemitério Nossa Senhora de Fátima, em Catanduva - a 387 km de São Paulo, pontualmente às 14h desta sexta-feira, 28. Centenas de pessoas, entre moradores da cidade, amigos e familiares acompanharam o sepultamento do ex-PM, responsável por episódios que marcaram a história da Polícia Militar paulista na década de 1980.

A mãe de Florisvaldo, Josefina Scabin de Oliveira, 87 anos, ficou quase que o tempo todo ao lado do caixão. A mãe do ex-PM espera que a polícia encontre os assassinos do filho. "Isso não pode ficar assim", disse, após o sepultamento, amparada por parentes.

O corpo de Bruno chegou ao cemitério de Catanduva por volta da 1h30 da manhã. Durante a madrugada fria, poucos amigos e parentes compareceram ao velório. A mulher de cabo Bruno, a pastora e cantora gospel Dayse da Silva Oliveira, chegou à cidade pouco depois das 7h. Abatida, ela não falou a imprensa. A mulher permaneceu ao lado da sogra boa parte do velório e a acompanhou no momento do sepultamento, que reuniu cerca de 200 pessoas, segundo informações da administração do cemitério. Florisvaldo morou em Catanduva até os 24 anos de idade e deixou muitos amigos na cidade.

Acusado de participação em mais de 50 assassinatos, apontado como justiceiro e um dos principais integrante de um grupo de extermínio que atuou em São Paulo na década de 1980, cabo Bruno foi condenado a 120 anos de prisão. Durante o período em que permaneceu atrás das grades, ele converteu-se ao cristianismo e virou pastor evangélico na Igreja Pentecostal Refúgio em Cristo, a mesma frequentada pela mulher. Ele ficou em liberdade durante 35 dias e foi executado na noite de quarta-feira, com pelo menos 10 tiros, em Pindamonhangaba (SP), onde morava com a esposa.

Veja a cerimônia em que o Cabo Bruno foi empossado pastor

 

Vingança. Familiares ouvidos pela reportagem acreditam que o assassinato do ex-PM seja fruto de vingança que ficou adormecida durante os 27 anos em que cabo Bruno permaneceu no sistema penitenciário. "Ele matou muita gente e por isso acredito que esse crime tenha sido motivado por vingança", disse Moacir Oliveira, irmão do ex-PM.

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