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Enterradas vítimas de acidente com helicóptero

Ao todo, cinco pessoas morreram: três mecânicos, piloto e um dos filhos do governador Geraldo Alckmin. Queda ocorreu em Carapicuíba na quinta-feira

Luiz Fernando Toledo e Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

03 Abril 2015 | 15h37

Atualizada às 17h49.

SÃO PAULO - Os corpos de quatro vítimas do acidente de helicóptero que matou cinco pessoas em Carapicuíba, na Grande São Paulo, na quinta-feira, 2, foram enterrados na tarde desta sexta-feira, 3, em cemitérios das zonas sul e leste da capital paulista. Um dos mortos no desastre aéreo é o filho caçula do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Às 14h, foi sepultado o corpo do piloto Carlos Haroldo Isquerdo Gonçalves, de 53 anos, no Cemitério Congonhas, no Jardim Marajuara, na zona sul. A cerimônia foi presenciada por parentes, amigos e vizinhos. Colega de profissão de Isquerdo, Valter Iglesias, que também é piloto de helicópteros, diz ter voado com o companheiro nos anos 1990, época em que trabalharam juntos. "Era amigo de todo mundo. Um profissional exemplar." Ele acredita que o acidente tenha ocorrido por uma falha técnica.

A vizinha Iara Bonfim e o marido, Milton Bonfim, disseram ter morado 23 anos ao lado do piloto. "O Carlinhos não falava muito da profissão. Lembro bem que ele gostava de correr. Foi um bom vizinho", disse Milton Bonfim.

Já o corpo do mecânico Paulo Henrique Moraes, de 42 anos, foi enterrado às 15h, próximo ao do piloto Isquerdo. Estavam presentes familiares, colegas de trabalho e pilotos.

Dois funcionários de limpeza da TAM, uma das empresas em que Moraes prestou serviços, elogiaram sua humildade e bom humor. "Era o brincalhão que fazia piadas", contou Claudio Bispo. "Muito alegre, um excelente profissional", disse Ivan Soares. Já a copeira Sueli Gomes afirmou que ele trabalhava muito, mas falava com todos. "Já almoçamos juntos até". O padrinho de Moraes pediu à reportagem para não entrevistar nenhum dos familiares. Tanto Isquerdo quanto Moraes eram funcionários da Seripatri, dona do helicóptero.

Parque das Cerejeiras. O corpo do mecânico Leandro Souza, de 34 anos, estava previsto para ser enterrado às 16h30 no Cemitério Parque das Cerejeiras, no Jardim Ângela, também na zona sul. Acompanhavam o velório sua mulher, a cozinheira Priscila Souza, e o filho do casal, de nove anos.

"Foi uma surpresa para todo mundo. Eles até se falaram durante o dia", contou a prima da esposa de Souza, Tatiana Barbosa. "Era trabalhador, honesto e gostava muito do que fazia. As vizinhas Luciene Garcia e Cida Costa contaram que o casal morava no bairro Santo Amaro, na zona sul. "Era um casal muito próximo. Gostavam de fazer tudo juntos", disse Cida. Ele era funcionário da empresa de manutenção Helipark.

Cemitério São Pedro. Aos 36 anos, o mecânico da Helipark Erick Martinho resistia em sair de casa, mesmo noivo há mais de quatro anos. Ele morava sozinho com a mãe, a dona de casa Meire Merino, de 70 anos, desde a morte do pai, em 2013. "Éramos só nós dois. A hora que acabar esse enterro e as pessoas forem embora, vou estar sozinha. Qual perspectiva posso ter na vida?", declarou ao Estado Dona Meire, uma senhora bem magra, de cabelos curtos e ralos.

O enterro do mecânico ocorreu por volta das 17h no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina, na zona leste. Dona Meire era consolada por dezenas de "boleiros" amigos de Erick, goleiro do time República da Aclimação, um dos mais tradicionais da várzea paulistana. "Era um goleiro dos bons. Catador de pênaltis", contou o autônomo Marcelo Marques, de 40 anos, amigo do mecânico desde a infância.

Amigos lembraram a ligação de Erick, filho caçula, com sua mãe.  "Ele era muito ligado à mãe, por isso não queria casar tão cedo. Depois que o pai morreu ele ficava muito tempo em casa com ela", acrescentou o comerciante Emiliano Vieira, de 42 anos, amigo do futebol há mais de duas décadas. "Outra paixão dele era o samba. Adorava, conhecia até os caras do Fundo de Quintal", disse Vieira.   

Já o corpo do filho do governador, Thomaz Alckmin, de 31 anos, foi sepultado em um cemitério em Pindamonhangaba, no interior do Estado. / COLABOROU CAIO DO VALLE

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