Entenda o caso do promotor Thales Schoedl

Promotor de Justiça de SP atirou contra dois jovens em 2004, um morreu e outro ficou gravemente ferido

Da Redação,

07 de outubro de 2008 | 17h08

O promotor de Justiça de São Paulo Thales Ferri Schoedl, de 29 anos, é acusado de matar a tiros o jogador de basquete Diego Modanez, de 20 anos, e de ferir Felipe Siqueira de Souza, de 20 anos, na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, em 30 de dezembro 2004.   O crime aconteceu quando Thales foi buscar a namorada em luau na praia. Thales estava com Mariana Bartoletti, então com 19 anos, à época sua namorada. Em depoimento, eles alegaram que as vítimas a chamaram de "gostosa" repetidas vezes. O assédio teria provocado, então, o desentendimento entre os jovens e o promotor, que alega ter atirado em legítima defesa.   Os laudos toxicológicos de Felipe, do promotor e da namorada não apontaram o consumo de álcool ou drogas. Felipe nega que o adjetivo tenha sido lançado por ele e por Diego. Na versão da vítima, uma outra turma chamou a garota de gostosa, o promotor reagiu e os dois amigos tentaram apenas apartar uma briga.   Na denúncia do Ministério Público, o promotor é acusado de duplo homicídio - um consumado e um tentado. Se condenado, Thales poderia pegar de 6 a 30 anos de prisão.   Na época do crime, Schoedl não tinha um ano no Ministério Público Estadual (MPE). Portanto, ainda não tinha completados os dois anos, após os quais ganharia direito ao cargo vitalício. Qualquer atitude funcional reprovável antes desses dois anos implica o não vitaliciamento e a conseqüente exoneração.   Após ser acusado de homicídio, a conquista do cargo vitalício se tornou ainda mais importante para o promotor, já que, sendo membro do MPE, ele deve ser julgado pelo Tribunal de Justiça de SP, cujos desembargadores já sinalizaram, no recebimento da denúncia, de que concordam com a tese de que ele agiu em legítima defesa. Caso seja exonerado, deve ir a júri popular, que costuma tomar decisões mais severas.   Desde então, o processo de Schoedl teve idas e vindas. O promotor já teve seu "vitaliciamento" no cargo negado por duas vezes - no Conselho do MPE e no Órgão Especial do MPE -, sendo exonerado após a segunda decisão, em 2005. Mas em 2006 recorreu ao Tribunal de Justiça. Em 2007, foi julgado novamente pelas duas instâncias do MPE, que, dessa vez, concederam o cargo vitalício ao promotor.   Mas o CNMP, órgão superior ao MPE, chamou para si o caso. No dia 2 de junho, por nove votos a três, os conselheiros decidiram que Schoedl não deve ter o cargo vitalício. Com isso, ele foi exonerado pelo procurador-geral de Justiça, Fernando Grella, logo após a decisão do CNMP.   Após a decisão do CNMP, em agosto de 2008, a defesa do promotor apelou ao Supremo Tribunal Federal (STF), que, em liminar divulgada nesta terça-feira, 7, deu direito a Thales Schoedl de receber o salário como promotor.

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