Entenda o caso do promotor Thales Schoedl

Promotor de Justiça de SP atirou contra dois jovens em 2004, um morreu e outro ficou gravemente ferido

da Redação,

18 de agosto de 2008 | 17h26

O promotor de Justiça de São Paulo Thales Ferri Schoedl, de 29 anos, é acusado de matar a tiros o jogador de basquete Diego Modanez, de 20 anos, e de ferir Felipe Siqueira de Souza, de 20 anos, na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, em 30 de dezembro 2004.  O crime aconteceu quando todos participavam de um luau. Thales estava com Mariana Bartoletti, então com 19 anos, à época sua namorada. Em depoimento, eles alegaram que as vítimas a chamaram de "gostosa" repetidas vezes. O assédio teria provocado, então, o desentendimento entre os jovens e o promotor, que alega ter atirado em legítima defesa. Os laudos toxicológicos de Felipe, do promotor e da namorada não apontaram o consumo de álcool ou drogas.  Na denúncia do Ministério Público, o promotor é acusado de duplo homicídio - um consumado e um tentado. Se condenado, Thales poderia pegar de 6 a 30 anos de prisão. Na época do crime, Schoedl não tinha um ano no Ministério Público Estadual (MPE). Portanto, ainda precisava, como todo promotor, ser "vitaliciado" no cargo para permanecer no cargo. O "não-vitaliciamento" após um ano de experiência implica na exoneração. Após ser acusado de homicídio, a conquista do cargo vitalício se tornou ainda mais importante para o promotor, já que, sendo membro do MPE, ele escapa do júri popular, que em geral toma decisões mais severas do que o foro privilegiado. Desde então, o processo de Schoedl teve idas e vindas. O promotor já teve seu "vitaliciamento" no cargo negado por duas vezes - no Conselho do MPE e no Órgão Especial do MPE -, sendo exonerado após a segunda decisão, em 2005. Mas em 2006 recorreu ao Tribunal de Justiça. Em 2007, foi julgado novamente pelas duas instâncias do MPE, que, dessa vez, concederam o cargo vitalício ao promotor. Mas o CNMP, órgão superior ao MPE, chamou para si o caso. No dia 2 de junho, por nove votos a três, os conselheiros decidiram que Schoedl não deve ter o cargo vitalício. Com isso, ele teria de ser exonerado.  Com a confirmação da decisão divulgada nesta segunda-feira, 18, só resta à defesa do promotor apelar ao Supremo Tribunal Federal (STF).

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