Enquanto foliões se divertem, catadores aproveitam para aumentar renda

Com a grande quantidade de pessoas consumindo cervejas e refrigerantes, o número de latas recolhidas chega a triplicar

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

03 Março 2014 | 22h32

SÃO PAULO - Para muitos paulistanos, o carnaval é sinônimo de descanso e diversão. Para outros, oportunidade de ganhar o pão. O catador de latinhas Saul Cardozo, 31, estava há oito horas caminhando pelos arredores da Praça da Luz, centro, para preencher duas sacolas. Com a grande quantidade de pessoas consumindo cervejas e refrigerantes, o número de latas chega a triplicar. "Cada saco desse vale 10 reais", comenta Saul, que não interrompe o serviço para dar entrevista. Em um mês, o homem diz faturar R$ 300, valor que diz servir apenas para "sobreviver". Ele mora sozinho, na favela do Moinho.

O pai faleceu e a mãe, aposentada que vive de salário mínimo, é de Maceió. Saul leva o expediente das ruas há um ano e meio, quando ficou desempregado. Ele morava em Jundiaí, onde trabalhava temporariamente como ajudante de obra na empresa Urbtec, por um salário mínimo. Quando o contrato acabou, Saul não conseguiu pagar o aluguel e viu-se obrigado a vir para Sao Paulo. "Vim procurar emprego na cidade grande", conta.

Mesmo cansado e com calos nas mãos, Saul se diz feliz por poder trabalhar em meio a uma festa que considera "maravilhosa". "O carnaval daqui é muito mais bonito que o de Jundiaí", aponta. Ele diz ter assistido todos os blocos que passaram pela rua nesta segunda e no último domingo. E arremata: "existe brasileiro que não gosta de carnaval?"

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