Engenheiros e arquitetos tentam invadir plenário da Câmara Municipal

Grupo não conseguiu lugar para assistir à audiência pública marcada para discutir projetos de aumento para as categorias

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2014 | 17h12

Atualizado às 18:52

SÃO PAULO - Quarenta dias após o fim da greve do funcionalismo da Prefeitura de São Paulo, as categorias com nível universitário foram no final da tarde desta terça-feira à Câmara Municipal para se posicionar contra as propostas de reajustes apresentadas pelo prefeito Fernando Haddad (PT) no final de julho. Sem aumento desde 2003, arquitetos, engenheiros, geólogos e assistentes sociais recusam receber acréscimos salariais por meio da concessão de subsídios embutidos aos vencimentos - eles exigem reajuste real e imediato de 58% nos holerites.

Pela proposta do governo petista, os servidores concursados com nível superior terão inseridos nos salários mensais gratificações recebidas pelo funcionalismo como quinquênio, sexta-parte, DAS (cargos de chefias incorporados após cinco anos de exercício), gratificação por desempenho, vale-refeição, VOP (remunerações devidas por outros remanejamentos de leis anteriores), entre outros. Mas os cerca de 3 mil engenheiros e arquitetos do governo são contrários. Sindicalistas que representam as categorias foram ao Palácio Anchieta, na audiência marcada para discutir os aumentos propostos pelo governo. Não houve acordo para colocar o projeto dos aumentos em votação a partir desta terça.

Dentro do plenário, também houve confusão entre os concursados de nível universitário com outras categorias, sem formação superior, que defendem a inclusão dos subsídios nos salários. Um grupo de engenheiros que não conseguiu entrar no plenário chegou a tentar invadir o espaço, gerando correria nos corredores da Casa e princípio de tumulto com guardas civis-metropolitanos (GCMs). Os engenheiros afirmam que a presidência da Casa tentou deixar de fora do plenário servidores contrários ao projeto do Executivo. A assessoria da presidência, porém, negou ter feito qualquer orientação para vetar a entrada do grupo.

O Sindicato dos Arquitetos do Sindicato de São Paulo (Sasp) diz que o aumento por meio da inclusão de subsídios nos vencimentos é um "retrocesso" para a categoria. Os servidores também defendem um piso para arquitetos e engenheiros de R$ 5.500. Hoje o salário de quem ingressa como arquiteto ou engenheiro na Prefeitura é de R$ 2.977,69. Com a proposta de Haddad, os valores do piso passariam para R$ 4.340,16 em 2014; R$ 4.723,51 em 2015 e R$ 5.231,34 em 2016.

"Querem mudar a lei orgânica para nos conceder um aumento por subsídio que é ilegal. Isso é um engodo. Além de não ter nenhum aumento real, essa proposta cria um piso inferior ao que já é pago pelo mercado, de R$ 5.500", reclama a arquiteta Wânia dos Santos, de 42 anos. Presidente da Comissão de Administração e Justiça e responsável por conduzir a audiência, o vereador de oposição Mario Covas Neto (PSDB) e o líder do PT, Alfredinho (PT), se comprometeram de levar ao governo as mudanças.

A audiência ainda ocorre neste momento no Palácio Anchieta, com a presença de cerca de 400 servidores.

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