Engenheiros de obra podem ser indiciados por homicídio doloso

Inquérito sobre desabamento de obra no centro que causou morte de auxiliar de limpeza será encerrado até 6ª

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

05 Março 2013 | 02h03

O delegado José Sampaio Lopes Filho afirmou ontem que pode indiciar por homicídio doloso (com intenção de matar) os responsáveis pela obra que desabou e causou a morte do auxiliar de limpeza Marco Antonio dos Santos, de 51 anos, na quinta-feira, na Liberdade, região central de São Paulo. Segundo o titular do 1.º DP (Sé), o inquérito será encerrado até sexta-feira. A obra foi embargada pela Prefeitura.

Lopes Filho disse ontem que ainda depende dos laudos e de documentos que serão apresentados pela Prefeitura para saber qual a responsabilidade de quem tocava a obra nos últimos meses. O imóvel, construído nos anos 1930, passava por uma transformação e serviria, no futuro, como um estacionamento.

"Estamos investigando tudo e não descarto indiciar os responsáveis por homicídio doloso", disse. O delegado José Sampaio Lopes Filho afirmou que não poderia dar mais detalhes sobre a investigação para não atrapalhar o andamento do inquérito.

Na sexta-feira, o engenheiro civil Carlos Eduardo Lopes de Oliveira prestou depoimento e disse ser o responsável técnico pela obra. Para a polícia, Oliveira afirmou que vazamentos na rede de água e esgoto poderiam ser a causa do desabamento. "Já havia algum indício, tanto é que temos vários protocolos na companhia concessionária pedindo para verificar, todos eles registrados."

A Sabesp negou enfaticamente que vazamentos possam ter sido a causa do acidente e considerou "irresponsáveis" as declarações de Oliveira, a quem pretende acionar judicialmente. "É absurdo relacionar o desabamento de um prédio com um eventual vazamento de uma rede de 5 cm de raio", disse, em nota.

No sábado, uma empresa de demolição contratada pela construtora derrubou o que restava da obra, a pedido da Prefeitura, que temia novos acidentes no local. Além de embargar a obra, a Prefeitura multou a empresa em R$ 205 mil e manteve os 5 imóveis afetados interditados.

Depoimentos. Os depoimentos previstos para ontem foram adiados. Hoje serão ouvidos os bombeiros que estiveram no local do desabamento, fiscais da Prefeitura e a vendedora Deusa Machado dos Santos, de 38 anos, que se feriu após a queda de parte da marquise do imóvel no dia 15 de fevereiro. O proprietário da obra será ouvido na sexta-feira, segundo o delegado.

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