Engenheiro leva tiro de fuzil no Morumbi

Crimes frequentes fazem moradores do bairro se organizar em rede social; bando invadiu casa ontem de manhã e baleou homem

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2011 | 00h00

O engenheiro Daniel Marques de Almeida, de 70 anos, foi atingido nas costas por um tiro de fuzil calibre 556 em um assalto à casa dele, no Morumbi, zona sul. O crime aconteceu ontem às 8 horas, e até a noite a vítima estava internada no Hospital São Luiz em estado grave. Os frequentes assaltos - este foi o segundo na mesma rua em sete dias - levaram moradores do bairro a se organizar em redes sociais. Um protesto está marcado para amanhã.

Segundo a polícia, o assalto começou no início da manhã, quando a filha do engenheiro foi rendida na frente da casa da família, na Rua Manuel Carlos Figueiredo Ferraz, ao sair para trabalhar. Dois ladrões ficaram com a jovem, a mãe e uma empregada em casa. Do lado de fora, em um Honda Civic, outros três comparsas davam cobertura. Almeida havia saído para visitar uma obra na região, mas voltou para pegar um equipamento de trabalho que havia esquecido.

"De carro, ele chegou na porta de casa, viu uma movimentação estranha e um homem disse: "Entra que sua mulher quer falar com você"", contou o sargento da PM Carlos César, que atendeu a ocorrência. Logo em seguida, a vítima percebeu que se tratava de um assalto e acelerou o Passat que dirigia.

Segundo o PM, uma testemunha do crime viu um dos suspeitos do Civic atirar contra o carro do engenheiro. A bala perfurou a janela traseira do carro de Almeida e o atingiu nas costas. "Uma das vítimas, a mulher do engenheiro, foi agredida pelos criminosos. Ela disse que eles estavam bem violentos e com armas", afirmou o PM.

Após o disparo, os cinco bandidos fugiram no Honda Civic sem roubar nada. Ao receber os primeiros socorros de um eletricista do bairro, Almeida afirmou que não sentia as pernas e braços. A família do paciente não permitiu que o hospital informasse seu estado de saúde.

Mais casos. "Aqui todos os dias se ouve falar de um assalto. O Morumbi virou referência para coisas ruins. A gente entra e sai de casa com muito medo", disse uma moradora que não quis se identificar.

Ela conta que famílias tentam deixar o bairro, mas não conseguem vender os imóveis. As duas casas vizinhas à do engenheiro estão com placas de vende-se. Um aposentado que mora há 20 anos no bairro afirma que o clima de medo aumentou. "Tem gente que usa carro blindado, cerca a casa. Vivemos reféns dos assaltos", diz. Segundo vigilantes, a casa de uma empresária foi assaltada na semana passada.

Para discutir o problema da segurança no Morumbi, moradores do bairro criaram dois grupos no Facebook sobre o assunto. O maior deles, o "Moradores do Morumbi", tem cerca de 2,5 mil integrantes. O outro leva o nome de "Assaltos no Morumbi". Um protesto está marcado para o dia 28, às 10h30. Os moradores pretendem dar um abraço simbólico na Praça Vinicius de Moraes, perto do Palácio dos Bandeirantes. A PM diz que o patrulhamento foi reforçado em junho.

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