Hedilaine Aparecida Garcia/Facebook
Hedilaine Aparecida Garcia/Facebook

Enfermeiro é afastado após suspeita de agressão contra idosa de 78 anos em SP

Familiares afirmam que a mulher teria levado socos, tapas e puxões de cabelo; aposentada estava internada na UTI do Hospital do Servidor Público Municipal

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

18 Abril 2017 | 12h48
Atualizado 18 Abril 2017 | 16h11

SÃO PAULO - Internada na Unidade de Terapia Intensivo (UTI), a paciente Thereza de Jesus Garcia, de 78 anos, foi encontrada com hematomas no rosto pela equipe do Hospital do Servidor Público  Municipal (HSPM) na manhã de domingo, 16, no bairro da Aclimação, zona sul de São Paulo. De acordo com a filha, Hedilaine Aparecida Garcia, a aposentada diz ter sido agredida com tapas, socos e puxões de cabelo pelo enfermeiro que trabalhava no plantão da noite de sábado para domingo. Em vídeo publicado pela família, a idosa chega a descrever as agressões. "Ele me bateu, bateu até cansar", falou a mulher - que permanece internada no mesmo leito em que teria sido agredida.

Hedilaine relata ter sido avisada do ocorrido ao receber um telefonema de uma assistente social do hospital por volta das 11 horas de domingo. “Fiquei muito assustada, ainda mais quando cheguei lá e a vi com o rosto e o queixo dela roxos. Ela estava apavorada, falava que só tinha pedido um copo de água porque estava com muita sede. Eu fiz um escândalo e disse para o meu irmão ir na hora registrar um boletim de ocorrência”, relata. O caso foi registrado na 73º Distrito Policial do Jaçanã, na zona norte da cidade.

Em nota, o HSPM afirmou ter afastado o enfermeiro, que trabalhava no plantão noturno e era servidor da instituição havia 27 anos. De acordo o hospital, foi aberta uma sindicância administrativa para apurar o que ocorreu. “Caso seja comprovada a agressão, serão tomadas as medidas cabíveis, como advertência, suspensão ou até mesmo exoneração do funcionário”, atestou.

Também em nota, o Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo (Coren-SP) informou ter aberto uma sindicância para apurar o caso. Se forem constatados “indícios de infração ética”, será aberto um processo ético-profissional, que ouvirá a versão do enfermeiro. “As penalidades previstas na Lei 5.905/73, em caso de confirmação da infração são: advertência, multa, censura, suspensão”, indicou.

Segundo Hedilaine, a idosa tinha sido submetida a uma cirurgia para a desobstrução de uma artéria da perna esquerda na quinta-feira, 13, e se recuperava bem, embora ainda não conseguisse se levantar sozinha. Como estava na UTI, ela podia receber visitas apenas em horários determinados, mas dividia o espaço com outros pacientes. 

“Minha mãe diz que ele parava às vezes e ia até a porta ver se tinha alguém se aproximando. Ela estava muito assustada. Achava que ele iria voltar para matar ela. Só se tranquilizou porque menti que tinha policiamento na porta. Queria deixá-la tranquila porque tenho medo que isso possa prejudicar a sua recuperação", diz a filha. De acordo com ela, seu irmão chegou a estranhar o comportamento do funcionário, mas não se preocupou porque costumava ser bem atendido pela equipe do hospital, no qual a paciente estava internada desde o dia 27. “As enfermeiras estão perplexas com tudo isso”, conta.

A filha relata também que a mãe sempre foi uma pessoa calma. “Ela nunca maltratou uma formiga. Minha mãe é lúcida. Estava na UTI só porque tem pressão alta - que aumentou ainda mais depois de tudo o que aconteceu, chegando a 23 por 11. Ela estava com um cateter ligado diretamente ao pescoço. Não tem como ela ter mentido. Ela já descreveu tudo diversas vezes", diz.

Hedilaine afirma ainda que não há previsão de alta para a idosa. “Quando eu vi ela lá, daquele jeito, passei muito mal, cheguei a desmaiar. Ainda sofro muito cada vez que vejo as fotos dela machucada nas redes sociais, na imprensa. Não consigo abrir nenhuma reportagem sobre o assunto, me faz muito mal. Meu pai tem 80 anos, e está sozinho em casa, horrorizado”, comenta.

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