Enem deve informar, não confundir

ANÁLISE: Paula Louzano

O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2014 | 02h01

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) dificultou o simples ranqueamento ao divulgar as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) separadas para cada disciplina e ao classificar as escolas por nível socioeconômico e tamanho, além de informar a qualificação dos docentes. Essa forma de divulgação é um avanço, mas não soluciona dois problemas.

O primeiro é que, ao assumir o Enem como instrumento de qualidade da educação, o Estado deve garantir a melhor medida do fenômeno. Permitir que uma escola tenha a média divulgada quando apenas metade dos alunos realizou a avaliação abre espaço para manipulações.

Em segundo lugar, aceitar que escolas abram "filiais" no mesmo endereço, ao separar alunos para efeitos de Enem, é um contrassenso educacional. Permitir isso é mandar um sinal errado à sociedade.

O Inep agora deveria centrar esforços em fazer do Enem um bom indicador de qualidade educacional. Significa garantir que os resultados reflitam esforços educacionais e não artimanhas para subir no ranking. O Estado arca com mais de R$ 300 milhões dos R$ 450 milhões de custo do exame. Não é justo que o Enem confunda a sociedade mais do que a informe.

* É doutora em política educacional pela Universidade Harvard e pesquisadora da USP

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