Enem alcança 8,7 milhões de inscritos

Com adesão de mais três instituições federais ao Sisu, exame tem alta de 21,6% no número de candidatos; 57,9% se declararam negros

LISANDRA PARAGUASSU / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2014 | 02h05

O número de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) cresceu 21,6% de 2013 para este ano e alcançou a marca de 8,7 milhões de estudantes. Com a adesão ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) de mais três universidades federais - Santa Maria, Rio Grande do Sul e Pernambuco - praticamente todo o sistema de ensino da União usa hoje a prova como forma de avaliação, o que ajudou a aumentar o interesse dos estudantes pela inscrição.

O crescimento neste ano, porém, foi um pouco menor do que no ano passado, quando chegou a 23,8%. O aumento foi geral em todos os Estados, mas o impacto foi maior onde as instituições federais aderiram ao exame neste ano ou passarão a integrar o Sisu a partir de 2015. Em Pernambuco, as inscrições cresceram 22%. No Rio Grande do Sul, 15%. A maior alta, de 29%, foi no Distrito Federal, onde a Universidade de Brasília (UnB) passou a integrar o sistema em janeiro deste ano.

"Esse crescimento foi até mesmo acima da nossa expectativa, que era de 8 milhões de inscritos. Há um despertar em torno da questão da educação, especialmente com o crescimento das oportunidade oferecidas pelo governo federal", afirmou o ministro da Educação, Henrique Paim, citando a ampliação de vagas nas universidades federais, o Programa Universidade para Todos (ProUni), o aumento do Financiamento Estudantil (Fies) e a criação do SisuTec, de seleção para cursos técnicos.

Ainda para o processo seletivo de 2015, o MEC espera a adesão da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Com isso, apenas três das 63 instituições não participarão do Sisu. Mesmo assim todas usam o Enem pelo menos como parte de seu processo de seleção. Em janeiro deste ano, o número de vagas oferecidas foi de 171 mil. "Como essas novas são instituições grandes, podemos esperar um aumento significativo no número de vagas", afirmou o secretário executivo do ministério, Luiz Cláudio Costa.

Infraestrutura. O crescimento de 1,5 milhão de inscritos fará com que o MEC aumente o número de cidades e de locais para a prova deste ano, que acontecerá em 8 e 9 de novembro.

A maioria dos inscritos, 4,9 milhões, já conclui o ensino médio em anos anteriores. Cerca de 1,7 milhão de candidatos terminaram a escola neste ano - 1 milhão a menos do que o total de concluintes no País.

Do total de inscritos, quase 4 milhões têm mais de 20 anos, sendo que 1,35 milhão está acima dos 30 anos. "Nós temos uma dívida educacional muito grande. Essa é uma boa notícia. As pessoas estão vendo que podem retomar os estudos. Isso é bom para o País", afirmou o ministro da Educação.

Negros. A maior parte dos inscritos se identificou como negra, 57,9%. De acordo com o ministro, a inscrição tende a refletir mais a sociedade brasileira e, também, o interesse pela política de cotas. Neste ano, 25% das vagas serão para alunos de baixa renda e oriundos de escola pública, com um porcentual para negros reservado de acordo com sua representação na população de cada Estado.

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