Daniel Teixeira/Estadão - 07/03/22
Daniel Teixeira/Estadão - 07/03/22

Enel relaciona falta de luz a verão ‘atípico’ em SP

Consumidores da cidade sofrem com interrupções recorrentes do serviço, principalmente em dias de chuva forte

Priscila Mengue e Ítalo Lo Re, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2022 | 05h00
Atualizado 08 de março de 2022 | 17h51

O diretor de Operações da empresa de distribuição de energia Enel SP, Darcio Dias, destacou que o verão deste ano é “atípico” e com sequências de temporais. “Isso tem gerado tempestades com situações climáticas bem adversas, o que acaba impactando muito a arborização”, alegou. “Não se está falando de situações corriqueiras, do dia a dia.”

Mais de 48 horas após a chuva intensa de sábado, 5, moradores de diferentes bairros da cidade de São Paulo ainda enfrentavam falta de fornecimento de energia elétrica na segunda-feira, 7, principalmente na zona oeste da capital. Os consumidores também relatam problemas recorrentes de interrupção do serviço nos dias em que há temporais, que têm sido frequentes neste verão. O Procon-SP tem apurado a situação desde janeiro. Ao Estadão, um porta-voz do órgão disse que o trabalho de prevenção da distribuidora tem sido ineficiente.

Segundo o diretor de Operações da Enel SP, a distribuidora investiu R$ 1 bilhão em melhorias no ano passado, incluindo a realização de 400 mil ações de podas e a adoção de sistema de automação, que permite o restabelecimento do serviço à distância quando não há dano físico à rede. “Sem a necessidade de enviar equipe ao local”, salientou.

No caso deste fim de semana, por exemplo, comentou que parte das ocorrências foram por fiação atingida por grandes galhos e árvores. “As árvores têm caído em quantidade bastante grande, e não geram pequeno dano na rede. Muitas vezes é preciso um trabalho de reconstrução, e, até para reconstruir em algumas situações,  precisa dos bombeiros e da prefeitura para fazer a remoção. Essas condições têm agravado a operação.”

Sobre a possibilidade de investimento em rede subterrânea, Dias argumentou que é considerado alto e somente seria possível com um aumento na tarifa. Além disso, destacou que a responsabilidade pelo monitoramento das árvores com risco de queda é municipal, não da Enel.

Em relação a possíveis danos a aparelhos elétricos, a Enel diz seguir a Resolução 414 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que estabelece todo procedimento a ser feito pelas distribuidoras de energia em caso de ressarcimento. A distribuidora acrescenta que, conforme a norma, o cliente pode realizar contato com a Central de Relacionamento, por meio do 0800 7272120 ou comparecer em uma loja da Enel, no prazo de 90 dias corridos, a contar da data provável da ocorrência do dano elétrico no equipamento, para dar entrada no pedido de ressarcimento, atendendo aos seguintes requisitos:

• Ser o titular da unidade consumidora onde houve a ocorrência;

• Informar a data e o horário prováveis da ocorrência do dano;

• Relatar o problema apresentado;

• Descrever as características gerais do equipamento danificado, tais como: marca, modelo, ano de fabricação etc.em contato com a distribuidora por meio dos nossos canais de atendimento. Este contato pode ser feito pelo aplicativo da Enel São Paulo; pela agência virtual no nosso site (www.enel.com.br) e pelo Call Center. O número do Call Center é o 0800 7272196.

Condições mais suscetíveis

“Tudo fica mais complicado em dia de chuva”, diz o coordenador do Curso de Engenharia Elétrica do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), Edval Delbone. Segundo ele, dias de temporais e locais onde há muitas árvores são os mais suscetíveis a ter queda de energia. Isso porque nesses dois casos é comum que o vento ou os galhos façam com que os fios encostem uns nos outros, provocando curto-circuito.

Delbone explica que quando o poste tem uma chave religadora, que seria um modelo mais avançado, ela desarma por conta do curto-circuito e depois retorna automaticamente. Mas na maioria das vezes a manutenção tem de ir até o local, explica Delbone, uma vez que os sistemas contam com fusíveis, o que acaba tornando o processo mais demorado. Em casos complexos, de queda de grandes postes, o restabelecimento acaba levando mais tempo.

Ainda assim, ele destaca que regiões podem ter um tratamento mais ágil. “Na região da Avenida Paulista tende a ser mais rápido porque os hospitais estão todos ali. Tem um monte de hospitais. Esses lugares que têm hospitais costumam demandar mais agilidade”, explica. Segundo ele, por mais que esses locais tenham gerador próprio, é importante ter uma atuação mais veloz porque os geradores também estão sujeitos a falhas.

O coordenador explica que em parte da região central da capital paulista, onde os cabos são subterrâneos, a queda de energia acaba não sendo tão frequente quando há fortes chuvas. “Mas fora do centro, é tudo aéreo. Esse circuito está sujeito a isso”, explica. Uma alternativa, comenta Delbone, seria adotar modelos mais avançados de cabos, os chamados space cable, que protegeriam mais contra curto-circuito. Mas isso geraria um custo extra. “Já vi que tem em alguns lugares de São Paulo, mas imagino que sejam poucos”, explica.

Para além de problemas relacionados a chuva e vento, o especialista a energia pode cair por raios atingirem subestações de energia. Mas isso tende a ser um pouco menos frequente. “Sem contar que já existem algumas subestações do centro que são abrigadas, por exemplo”, explica Delbone.

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