Enchente destrói loja das Casas Bahia em Santana do Parnaíba

Córrego transborda e invade três estabelecimentos de comércio e duas casas

Naiana Oscar, Jornal da Tarde

25 de julho de 2007 | 22h37

Estava quase na hora de abrir a padaria. Eram 5 horas e Osvaldo Cardoso de Oliveira já preparava o café para receber os clientes quando ouviu um barulho do lado de fora. "Pensei que fosse uma carreta desgovernada ou até um avião", conta. Depois disso, ele não teve tempo de pensar. Precisou correr para não ser levado pelas águas do Córrego Benoá, que também invadiram uma loja das Casas Bahia, no centro de Santana do Parnaíba, e destruíram o que estava na sua frente. Inclusive a padaria.   Logo atrás da loja o córrego entra numa tubulação que desemboca no Rio Tietê. Mas os canos não foram suficientes para conter a chuva. A água acumulou na parede de trás da loja e, no início da manhã, abriu um buraco de 8 metros de largura por dois de comprimento. Os moradores dizem que a boca-de-lobo entupiu. A Prefeitura responsabiliza as obras da calha do Rio Tietê feitas em São Paulo, pois teriam aumentado a vazão do rio, que se estrangula quando passa por Santana do Parnaíba.   Televisões, geladeiras, computadores, colchões, sofás, celulares: tudo o que havia dentro do estabelecimento foi arrasado e levado para o meio da rua. Quem estava no ponto de ônibus perto dali aproveitou para levar alguns itens para casa . "Teve gente que pegou três laptops lacrados. Os celulares da loja sumiram", disse uma moradora. O carro de Osvaldo, que estava estacionado na rua, chocou-se contra a porta da padaria. "Contando por baixo, tive um prejuízo de R$ 250 mil." A lama tomou conta do caixa, dos produtos na prateleira, do balcão.   Além das Casas Bahia e da padaria, outras duas residências e uma loja de doces foram invadidas pelas águas. "Ouvi um barulho e quando acordei vi o chão da minha casa inundado", contou a funcionária pública Liane Silveira. "Só não morremos afogadas porque o portão estava fechado com um tronco de madeira, o que impediu que a água entrasse com força." Pressionando o portão da casa ,onde Liane mora com outras duas irmãs, havia duas televisões e um sofá.   "Em abril enfrentamos uma enchente por causa de um problema na rede de esgoto, mas não foi tão grave." O vigilante Daniel Antonio da Silva Re, único funcionário que estava na loja no momento do acidente, sofreu escoriações, foi encaminhado ao hospital da cidade e liberado. A assessoria de imprensa das Casas Bahia informou que os prejuízos ainda estão sendo calculados e, assim que for autorizada, a empresa dará início à reconstrução da loja. Ontem, enquanto funcionários da prefeitura limpavam a rua e os da Casas Bahia levam o que restou dos produtos, os moradores comentavam as causas do incidente.   "Isso já era esperado. Todo mundo sabia que o córrego ia dar problema. Ele tinha que estar todo canalizado", disse a aposentada Madalena Oliveira da Silva 62 anos, moradora da rua desde os 20.   A explicação do secretário de Serviços Municipais José Carlos Gianini foi além dos limites da cidade. O problema, para ele, está na calha do Rio Tietê. "A água desce com muita velocidade em São Paulo mas, quando chega aqui, não tem a mesma vazão e acaba se acumulando", disse. Com isso, o leito do rio sobe e atinge as tubulações. "O que houve ontem foi um refluxo do Tietê."   Mais transtornos   O Ribeirão dos Couros, na altura do km 13 da Via Anchieta, também transbordou, interditando as pistas centrais dos dois sentidos da via, por volta das 5h45 até 7h15. Na Capital, o Centro de Gerenciamento de Emergências registrou 23 pontos de alagamento até a noite de ontem. Pela manhã, a Marginal do Pinheiros ficou interditada perto da Ponte Cidade Jardim. Às 9h50 foram registrados 119 quilômetros de lentidão, a maioria na Zona Sul.

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