Enchente desabriga 6 mil pessoas no Vale do Ribeira, em São Paulo

Chuvas elevaram nível do rio Ribeira de Iguape em dez metros; devastação atingiu 80 Km de extensão

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

03 de agosto de 2011 | 11h06

SOROCABA - A enchente do rio Ribeira de Iguape tinha atingido até o final da tarde desta quarta-feira, 3, mais de dez mil pessoas no Vale do Ribeira, região sul do Estado de São Paulo. Causada pelas chuvas do início da semana nas cabeceiras do rio, as águas subiram até dez metros e causam uma onda de destruição desde Ribeira, na divisa com o Paraná, até Sete Barras, a mais de 80 quilômetros. No início da noite, as águas começavam a invadir bairros de Registro, a principal cidade da região. A Defesa Civil contabilizava 6 mil pessoas desalojadas e 2,2 mil desabrigadas, além de pelo menos 3 mil moradores ilhados na zona rural. Cerca de 4 mil moradias sofreram danos - pelo menos 15 foram destruídas.

 

Em Registro, equipes da Defesa Civil e da prefeitura trabalhavam para evacuar as áreas que seriam atingidas com mais força pelas águas. A previsão é de que a cheia atinja o ápice na manhã de hoje. Em outras cidades castigadas pela enchente, os moradores esperavam as águas baixarem para contabilizar os prejuízos. Em Iporanga, 1.100 pessoas ficaram desalojadas e 150 continuavam em abrigos. Pelo menos 300 casas sofreram avarias e cinco caíram. As prefeituras de Iporanga, Eldorado, Ribeira e Sete Barras decretaram situação de emergência.

 

Em Eldorado, o rio atingiu 13,3 metros - o nível normal é 3,7 - e inundou quase toda a área urbana. De acordo com a Defesa Civil, 4 mil pessoas foram desalojadas e 1,5 mil desabrigadas. Algumas famílias, que não conseguiram ir para as partes altas da cidade, foram socorridas e se encontram abrigadas no centro comunitário, salão paroquial e escolas. Ontem, a água baixava lentamente, mas bairros distantes do centro continuavam isolados. A cidade voltou a contar com luz e telefone, mas continuava sem água. A Sabesp espera normalizar o abastecimento hoje. Na zona rural, 80% da produção agrícola - sobretudo plantações de banana - foram destruídos.

 

Em Sete Barras, as águas atingiram 7,5 m acima do nível normal e inundaram 150 casas. No início da tarde, 250 pessoas estavam desabrigadas, das quais 100 foram levadas para o ginásio de esportes. As outras se abrigaram em casas de parentes e esperavam a água baixar para retornar às residências. Em vários bairros, muitas famílias ficaram ilhadas por terem relutado em abandonar suas casas, segundo a prefeitura. A Defesa Civil usou barcos para resgatar pessoas em situação de risco. O Fundo Social de Solidariedade pediu doações de alimentos, produtos de limpeza, roupas e utensílios domésticos.

 

O governador Geraldo Alckmin autorizou o envio de apoio humanitário às cidades atingidas. Equipes da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil foram deslocadas para a região. Começaram a ser distribuídas dez toneladas de produtos de primeira necessidade, como cestas básicas, colchões, produtos de limpeza, roupas de cama, banho e vestuário. A Sabesp enviou 50 mil litros de água para atender a população.

Atualização às 19h18

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