Empresas funcionam sem fiscalização sob torres da Eletropaulo

Uso dos terrenos é restrito por questões de segurança, mas comerciantes divulgam serviços até na Internet

Bruno Lupion, estadao.com.br

27 de julho de 2009 | 10h31

Empresas de paisagismo têm aproveitado a falta de fiscalização para se instalar de graça nos terrenos sob os cabos de alta tensão da Eletropaulo. Elas transformam áreas de vegetação rasteira e hortas comunitárias em pontos de comércio em regiões valorizadas. Segundo a concessionária, cerca de 15% dos ocupantes estão irregulares.

 

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A Eletropaulo empresta gratuitamente esses terrenos para interessados, mas define regras para preservar a segurança da linha e da população. É proibido comércio, estacionamento de veículos, construções de qualquer tipo e depósito de materiais.

 

Em um trecho de 4,5 km de uma linha de alta tensão nos bairros de Alto de Pinheiros e Alto da Lapa, na zona oeste, há cinco empresas instaladas sob os cabos - uma a cada 900 metros, em média. O mesmo ocorre na zona sul da cidade, na linha contígua à Avenida Morumbi. Algumas delas divulgam seus serviços na internet e oferecem estacionamento para os clientes.

 

Comércio no Alto da Lapa vende plantas e rochas ornamentais e funciona como depósito

 

Fiscalização

 

Luis Henrique Sampaio, gerente de serviços e patrimônio da Eletropaulo, reconhece que a falta de uma "fiscalização intensa e objetiva" durante os últimos anos favoreceu a ocupação irregular dessas áreas. No entanto, diz que um plano de vistoria iniciado em abril deve mapear e regularizar todas as situações. Segundo ele, a Eletropaulo costumava identificar os desvios quando precisava trocar o cabeamento ou reformar as torres.

 

"A empresa reviu seus procedimentos recentemente e agora temos dados fotográficos. Vamos notificar os irregulares e dar um prazo para adequação. Se não regularizarem, rescindiremos os contratos", diz. Ele conta que o mapeamento já foi concluído na região do ABC e está em andamento na zona oeste.

Uma das alternativas estudadas pela Eletropaulo para essas áreas é abrir canteiros verdes para a população, criando parques lineares. O modelo já é utilizado no City Boaçava e no Morumbi.

 

Riscos à saúde

 

"Não pode ter comércio nem instalação nenhuma, por uma questão de segurança", afirma o professor José Antônio Jardini, da Escola Politécnica da USP, que projetou linhas de transmissão da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista. O objetivo é proteger as linhas de danos e evitar que pessoas fiquem muito tempo sob o campo eletromagnético dos cabos.

 

Segundo ele, não há estudos conclusivos que isentem ou vinculem o campo eletromagnético a danos para a saúde, mas na dúvida as linhas são projetadas para evitar a exposição de pessoas ao risco. Jardini também recomenda não estacionar veículos sob a linha, apesar de a probabilidade de acidentes ser pequena.

 

A Secretaria de Controle Urbano da Prefeitura, por meio de sua assessoria, informou que a fiscalização desses terrenos é responsabilidade da Eletropaulo.

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