Empresas e governo poderiam ter previsto aumento

Mais uma vez, os passageiros são prejudicados por cancelamentos e atrasos de voos.

Análise: Jorge Eduardo Leal Medeiros, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2010 | 00h00

Desta vez foi a TAM, mas já aconteceu com a Gol e com a Webjet. O que está acontecendo?

Em 2010, a demanda aumentou 25% em relação a 2009. Entre o ano passado e 2008, esse aumento foi de 18%. E a oferta cresceu menos, 18% e 15%, respectivamente. Aumentos assim não são normais, mas se foi de vulto no ano passado, com os incentivos do governo para a economia, o deste ano poderia ter sido previsto. As empresas deveriam ter se preparado e, certamente, a Secretaria de Aviação Civil, órgão federal, deveria ter dado a linha mestra (aparentemente lhe falta experiência).

Se falta avião, também falta tripulante. Como a Anac é responsável pela segurança, a fiscalização deve garantir que não se voe mais do que é permitido. Mas isso nem sempre ocorre. As empresas querem aumentar seu faturamento, e voar mais dá mais dinheiro: apesar da proibição de overbooking e de aviões reserva, aumentou o número de voos fretados. A equação não fecha: falta fiscalização da Anac, cuidado com usuário por parte das empresas e planejamento por parte do Estado. E, como sempre, apesar das restrições da Anac, sobra para o usuário.

LEAL É PROFESSOR DA ESCOLA POLITÉCNICA DA USP E MEDEIROS FOI DIRETOR DA VASP E DA VARIG

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