Empresas desistem de participar de PPP do monotrilho da Linha 18

De 12 interessados, apenas 4 formalizaram propostas; motivos são as incertezas econômicas e políticas

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2013 | 02h06

A ideia do Estado de conseguir parceiros privados para acelerar as obras do metrô dá sinais de enfraquecimento por causa das mudanças políticas e, principalmente, econômicas pelas quais o País está passando nos últimos meses. Das 12 empresas que manifestaram interesse em participar da Parceria Público-Privada (PPP) para fazer a Linha 18-Bronze (monotrilho que ligará a capital ao ABC), em fevereiro passado, apenas 4 formalizaram propostas para tocar o projeto.

A informação foi confirmada ontem pelo secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, durante anúncio da abertura da consulta pública sobre o edital da linha, que reuniu o prefeito Fernando Haddad (PT), o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e prefeitos do ABC.

Em fevereiro do ano passado, quando o Estado abriu chamamento público para investidores dispostos a financiar a obra (em troca da concessão da operação), o dólar custava 32% menos do que hoje. O Produto Interno Bruto (PIB) vinha apresentando crescimento mais forte e a inflação estava mais controlada.

Hoje, além de mudança nesse cenário, há ainda a incerteza política. O Metrô tinha o trunfo de não precisar de subsídios do Estado. A venda de passagens arrecadava recursos suficientes para custear toda a operação. Agora, com a decisão política de congelar o aumento - e atender à necessidade popular de tarifas mais baratas -, o Estado terá de gastar recursos do orçamento para manter os trens em operação. A Linha 18 deve custar R$ 3,5 bilhões. O governo precisa de um parceiro que aceite arcar com cerca de 50% do valor.

Futuro. O secretário Fernandes disse que sabe que o cenário está diferente. Mas afirmou que "há muito investimento por fazer e os recursos estão vindo". Já o governador Alckmin afirmou acreditar que manterá o interesse da iniciativa privada. "Acho que as manifestações até ajudam, porque reforçam a prioridade" no transporte.

O economista-chefe da consultoria MB Associados, Sérgio Vale, por outro lado, afirma que não há "nada mais natural as empresas não terem mais interesse" nesses investimentos propostos pelo Estado.

Para ele, "ao aceitar as demandas da população, o governo sinalizou para as empresas que aumentar preço daqui para a frente não será fácil". "Quem vai querer investir nesse cenário?", questiona Vale. "Infelizmente, as desistências que se viram vão se avolumar nos próximos meses e certamente vão paralisar a expansão do metrô aqui."

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