Empresas dão ocupação. Mas ninguém quer

O maior receio de quem convive com esses meninos é que eles não consigam sair do limbo. "Sou otimista. Isso é uma questão de política pública para os próximos dez anos", diz Ricardo Henriques, o responsável pelos projetos de UPP social.

Márcia Vieira, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2011 | 00h00

A estratégia consiste em levar jovens para a escola ou formação profissional. A grande questão é como. "É preciso acionar mundos de arte, cultura e esporte para seduzi-los e fazer com que pensem no futuro." Mas o otimismo de Henriques esbarra em dificuldades na máquina do governo. "Isso é um processo em construção. Estamos mobilizando educação, cultura, esporte. Mas o sistema não está afeito a isso."

Se o socorro falhar, os jovens perdem a chance de melhorar de vida. "Aí eles ficarão no limbo", diz Henriques. O limbo não leva necessariamente ao crime. "Mas vão cair na informalidade, vão ter mais filhos. Alguns podem cair no vício de alguma droga."

Para entender o tamanho do desafio basta examinar a taxa de evasão nos projetos oferecidos aos jovens das favelas. Nas 14 mil vagas de cursos profissionalizantes da Fundação de Apoio à Escola Técnica, o abandono chega a 45%. A situação não é diferente em cursos da Secretaria de Ação Social - em torno de 35%."

Mesmo o esforço dos comandantes de UPP em conseguir empregos tem enfrentado empecilhos. O grupo Umbria, que reúne Domino"s , Spoleto e Koni Store, ofereceu vagas de estágio para meninos de até 17 anos. Escolaridade não era pré-requisito. O salário, por quatro horas diárias, era de R$ 300, além de vale-transporte. Não apareceu ninguém.

Uma rede de supermercados subiu o Borel oferecendo 150 vagas. Além do salário de R$ 617, o empregado teria vale-transporte e plano de saúde. Ninguém se candidatou.

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