WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Grupo propõe nova Ceagesp por R$ 5 bi

Projeto é de comerciantes e produtores; Prefeitura ficaria com 40% do terreno atual, mas presidente da companhia é contrário à mudança

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2016 | 18h25

A Prefeitura de São Paulo recebeu proposta nesta quarta-feira, 13, de produtores e comerciantes para a criação de uma alternativa à Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), do governo federal, localizada hoje na Vila Leopoldina, zona oeste. O novo armazém, sob administração privada, ficaria em um terreno particular de 4 milhões de m² em Perus, na zona norte da capital, com investimento de R$ 5 bilhões.

A busca por um novo espaço para as atividades da Ceagesp vinha sendo feita desde o ano passado, após convênio firmado entre o governo federal e a Prefeitura. O entendimento é que o equipamento provoca grande congestionamento na região - são pelo menos 14 mil veículos trafegando diariamente -, além de poluição. 

A proposta da gestão municipal é que seja feito um novo planejamento de urbanização para a Vila Leopoldina, com empreendimentos imobiliários, áreas de habitação de interesse social e instalação de equipamentos públicos, como creches, postos de saúde e praças. Segundo o prefeito Fernando Haddad (PT), as alterações podem trazer 30 mil empregos para a região e movimentar R$ 10 bilhões em investimentos. 

O projeto depende, no entanto, do aval do governo federal. Após a substituição da senadora Kátia Abreu (PMDB) por Blairo Maggi à frente da Agricultura, ainda não há definição sobre se o projeto será mantido. O novo presidente da Ceagesp, Antonio Carlos do Amaral Filho, ligado ao PP, partido da base aliada do presidente em exercício, Michel Temer, já se diz contrário à medida. Ele quer que o novo armazém seja uma expansão da área atual, não uma substituição. “Nosso espaço é de 700 mil m², mas a Ceagesp deveria ocupar uma área da ordem, talvez, de 2 milhões de m². Temos de expandir”, disse. 

Se não houver acordo entre as partes, há a possibilidade de a cidade ficar com os dois entrepostos simultaneamente, hipótese que a Prefeitura tenta evitar. “Ao Município é desejável que a atividade vá para outro local, preferencialmente na cidade”, disse ao Estado o diretor de Desenvolvimento da SP Urbanismo, Gustavo Partesani.

Projeto. A primeira proposta de um novo espaço feita pelo Novo Entreposto de São Paulo (Nesp) - grupo formado por 25 produtores e comerciantes que hoje atuam na Ceagesp - deverá passar por análise nos próximos quatro meses. Neste período, outras empresas poderão apresentar projetos e haverá, segundo a Prefeitura, realização de audiências públicas. O espaço poderá ser criado mesmo sem o aval do governo federal. Dessa forma, a capital ficaria com dois entrepostos. 

Haddad defendeu a mudança e disse que o projeto “dialoga” com os interesses da cidade. Com o empreendimento, a Prefeitura terá direito a ficar com 40% do terreno. “Vai significar creche, parque, posto de saúde. Também garantiremos a recuperação de parte da vegetação.”

Para a arquiteta, urbanista e professora da Universidade de São Paulo (USP) Maria Lucia Refinetti Martins, o interesse pela mudança da Ceagesp é principalmente econômico. “O que seguramente vem nessa discussão, que está aí há muito tempo, é que a área está valorizada demais para esse tipo de uso. O problema não é o caminhão na região. Do ponto de vista do funcionamento da Ceagesp, está tudo muito bem. A questão central é outra”, disse. 

Segundo Maria Lucia, qualquer mudança na região demandará um novo projeto urbanístico que privilegie o local. “Você pode ter uma perspectiva de ser uma área que tenha mais habitação popular, mais área pública. Mas os grandes projetos que acabamos vendo são de reproduzir imóveis de alto valor e de usar a lógica de quem pagar mais, leva. Não é exatamente o que esperamos para a cidade.”

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