Empresários esperam 20% menos turistas

Quartos de sobra nos hotéis, abadás mais baratos, ladeiras e lojas vazias no Pelourinho. A três dias do início do Carnaval, o turismo em Salvador ainda sente os efeitos da greve da PM, encerrada na noite de sábado após 11 dias. Empresários da rede hoteleira esperam redução de pelo menos 20% nos 500 mil turistas que chegariam para o período da folia, segundo estimativa da Bahitursa, órgão oficial do turismo.

DIEGO ZANCHETTA , ENVIADO ESPECIAL A SALVADOR, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2012 | 03h03

Ontem, no primeiro dia após o fim da greve, quem lotou as principais praias e bares da cidade foram os próprios moradores. Orlas como Portal da Barra, Pituba e Flamengo ficaram lotadas após mais de uma semana sem movimento. Nas bilheterias no circuito Barra-Ondina, porém, a procura por ingressos de arquibancadas e camarotes do carnaval foi fraca nos últimos dois dias. Eram poucos também os grupos de turistas circulando ontem no Pelourinho.

Os desfiles dos blocos começam na quinta-feira. Mas em hotéis de todas as categorias e praias sobram reservas. "Todo mundo sabe que não vamos ter um carnaval como o de outros anos. O turista ainda tá com medo", reclamava ontem o ambulante Carlos Oliveira da Silva, de 33 anos, que tentava vender bolsas e chapéus no Portal da Barra. A praia estava lotada, mas, segundo Silva e outros comerciantes, só havia moradores. "O turista mesmo não apareceu. Desistiu do verão na Bahia por causa dessa greve."

Lojas do Pelourinho seguem vazias e turistas que chegam em cruzeiros atracados ao lado do Mercado Modelo continuam optando por não descer na cidade. Quem chega quer logo saber como está a situação. "Nós quase desistimos na semana passada, mas o pacote já estava pago e o reembolso seria só de 70% do valor", contou a médica Miriam Cardoso, paulistana que chegou ontem com duas amigas para curtir a folia na capital baiana.

No Farol da Barra, também havia poucos turistas na tarde ensolarada de ontem. Nos bares e quiosques das praias, o movimento é de baianos que voltaram a sair de casa. "Tá melhor para nós sem turistas, não tem fila nem para ir ao banheiro", brincava de manhã na Praia da Armação o soteropolitano Márcio Timóteo Bráz, de 27 anos. Ele disse ter ficado a semana inteira em casa por causa da falta de segurança nas ruas. "Agora é hora de pôr o bloco na rua."

Segurança. Soldados do Exército continuam policiando a orla e pontos turísticos de Salvador. Apesar do fim da greve, eram poucas as viaturas policiais nas ruas da capital baiana ontem. A reportagem percorreu duas vezes a Avenida Oceânica e viu apenas um carro da PM. Em todo o Pelourinho, havia um único soldado policiando as ladeiras.

Moradores defendem a presença do Exército nas ruas até o fim do carnaval. "Não sabemos como esses policiais vão reagir após terem sido tão humilhados nessa greve. Pelo bem da população e dos turistas, precisamos do Exército para a passagem tranquila dos blocos", disse Filipe Silveira, de 37 anos, gerente de hotel na Praia do Rio Vermelho.

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