Empresário que atuava com disque-droga é preso em Sorocaba

Acusado fazia as entregas nos bairros nobres da cidade; com ele, foi encontrado 30 gramas de cocaína

José Maria Tomazela, de O Estado de S.Paulo,

16 de abril de 2008 | 16h38

Médicos, dentistas, advogados e professores universitários eram os clientes preferenciais do empresário Marcos Cleo, de 44 anos, preso na tarde de terça-feira, 15, pela Polícia Civil de Sorocaba por tráfico de cocaína. Dono de uma loja de carros, ele recebia as encomendas pelo celular e a clientela usava uma linguagem codificada para pedir a droga. Para a entrega, Cleo marcava encontros em bairros nobres da cidade e se dirigia para o local num automóvel Audi preto. Durante cinco meses, com autorização judicial, a polícia gravou as conversas e fez imagens dos encontros - que comprometem integrantes da alta sociedade de Sorocaba, segundo a delegada Simona Ricci Scarpa, da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise). Nas imagens divulgadas pela polícia, Cleo é flagrado entregando a "encomenda" no bairro Campolim, principal reduto da classe A e ponto de encontro de jovens da cidade, inclusive próximo de escolas. Numa das gravações, o interlocutor pergunta se o empresário tem "a loira do uisquinho". Com a resposta positiva, ele pede: "Manda três pra nós." Em outra ligação, o cliente o convida para "tomar uma cerveja" no Campolim, "no lugar de sempre". As imagens mostram que a entrega ocorre num conhecido bar da região. Um dos fregueses assíduos, um professor universitário, usava como senha a pergunta: "Pode vir na aula hoje?" Cleo responde: "Posso, quando?" O professor: "A hora que quiser, mas da mesma qualidade." Outro cliente, um médico, preocupava-se com a pureza da droga. "Sem muito sódio, ouviu?" O empresário não fazia negócios em grande escala e recusava os clientes dos quais desconfiava. A cocaína era vendida em papelotes de 3 e 5 gramas a R$ 30 e R$ 50, respectivamente. Em alguns dias, ele fez mais de 20 entregas em bares, casas noturnas, postos de abastecimento e lojas de conveniência. A polícia suspeita que a loja de carros servia apenas como fachada para o tráfico. Cleo, que já tinha sido preso por tráfico em 2002, foi detido próximo do centro da cidade. Em seu carro, os policiais encontram 30 gramas de cocaína.

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