Empresário preso por identidade falsa

Acusado de ter negócios até na prostituição, Nelson Bruce Gois agia atualmente como sócio de construtora, mas tinha vários RGs

Fábio Mazzitelli, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2011 | 00h00

O empresário Nelson Bruce Gois, de 49 anos, foi preso em flagrante ontem na capital acusado de criar identidades falsas. Por meio delas, viabilizava negócios diversos - de construtora a sites de prostituição.

De acordo com a 1.ª Delegacia de Crimes Contra o Consumidor, responsável pela prisão, Gois já era procurado pela Justiça do Mato Grosso pelo crime de lenocínio (facilitar a prostituição com o objetivo do lucro).

Atualmente, o empresário fazia negócios em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais como Damian Willemberg Di Venaro, procurador e sócio da Millenium Construções, com sede na Pompeia, zona oeste da capital.

A construtora ganhou concorrências públicas de obras de diferentes instâncias de governo, como a Secretaria de Estado da Fazenda de São Paulo, a Prefeitura Municipal de Araras (SP), a Universidade Federal de Alfenas (MG) e agências da Caixa Econômica Federal em cidades no interior de São Paulo. Os valores dos contratos, aos quais a reportagem teve acesso, variam de R$ 104 mil a R$ 2,19 milhões.

De acordo com a polícia, sob outra identidade, com nome de Eduardo Anacleto de Souza Veiga, o empresário controlava um prostíbulo no Paraíso, zona sul, e, na internet, era dono de sites de agenciamento de acompanhantes para executivos.

Como Nelson, Damian ou Eduardo, o empresário mantinha pelo menos seis empresas, cada uma com Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) diferente. Outras três já não estavam em funcionamento. Para a polícia, o sistema facilitava a capitalização do empresário.

"Ao criar uma pessoa fictícia, ele mesmo era laranja dos negócios" diz a delegada Maria Helena Tomita, que está à frente do inquérito. "Se o negócio fosse mal, a empresa poderia apodrecer e o responsável nunca seria encontrado, porque não existe."

Segundo os funcionários da construtora, porém, os acordos de prestação de serviços com o poder público estão sendo cumpridos. "Posso garantir que são todas obras legais e estão sendo executadas por nós", afirmou, por telefone, uma mulher que se identificou como engenheira responsável da Millenium e disse desconhecer irregularidades.

Nascido em Nilópolis (RJ), Nelson Gois morou em Cuiabá (MT) antes de se instalar em São Paulo. Para criar Damian, teria forjado a certidão de nascimento. Os demais documentos são autênticos, emitidos por órgãos oficiais com base na certidão falsa - um de seus três filhos foi registrado como sendo do personagem criado por ele.

Abordado pela reportagem, Nelson Gois se negou a comentar o caso. "É um momento muito difícil. As coisas não são o que parecem ser", limitou-se a dizer.

Ele foi indiciado por uso de documento falso, falsa identidade e falsidade ideológica - este último é o mais grave, porque se trata de documento público, e prevê pena de reclusão de 1 a 5 anos.

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