Empresário morre após se jogar de carro na Dutra durante assalto

Segundo a polícia, criminosos confundiram homem com policial e o ameaçaram de morte depois que encontraram uma pistola no veículo

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

01 Setembro 2014 | 10h30

Atualizada às 21h36

SÃO PAULO - Confundido com policial por criminosos, que o ameaçaram de morte, o empresário Bruno Cavalcante Facchinelli, de 31 anos, morreu depois de se jogar do carro durante um assalto na Rodovia Presidente Dutra, na altura do bairro Porto da Igreja, em Guarulhos, Grande São Paulo. O caso aconteceu no sábado, e as circunstâncias do crime remetem à tática usada pela chamada “gangue da batida”, quadrilha especializada em roubo de veículos.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o empresário estava acompanhado da namorada, uma estudante de 21 anos, no momento do crime. Aos policiais, ela contou que, quando entraram na rodovia, no sentido São Paulo, sentiram uma batida na traseira do veículo, um Mitsubishi Lancer vermelho, que seria propriedade de Facchinelli. Já era noite, por volta das 20h25, segundo o boletim de ocorrência.

Primeiro, a estudante desceu para avaliar se o carro havia sofrido algum dano. Depois, foi a vez do empresário. Segundo a testemunha, nesse momento outro carro parou ao lado do casal. Três homens teriam saído do veículo, um deles armado, e anunciado o assalto.

“O modus operandi é o mesmo da ‘gangue da batida’, mas nós precisamos investigar mais a fundo para concluir essa relação”, afirmou o delegado titular do 1.º Distrito Policial de Guarulhos, Edson Silveira, responsável por conduzir as investigações. Inicialmente registrado como roubo, o caso vai ser investigado como latrocínio, informou a Delegacia Seccional de Guarulhos.

Segundo o delegado-chefe da 1.ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal de Guarulhos, Marcelo Annunziato, o trecho com maior incidência de casos da “gangue da batida” na Rodovia Presidente Dutra fica entre o acesso ao Aeroporto de Cumbica, no km 219, e a Marginal do Tietê, no km 331.

O ponto crítico, no entanto, fica entre a Ponte Estaiada de Guarulhos, no km 222, e o acesso à Rodovia Fernão Dias, no km 227. 

“Caso haja alguma colisão nesses trechos, o motorista deve evitar parar em lugar ermo e seguir até um posto policial ou da Concessionária CCR NovaDutra (que administra a rodovia)”, disse o delegado. 

Crime. Após render as vítimas, um dos assaltantes assumiu a direção, enquanto os outros vasculharam o carro do empresário. Nele, encontraram uma caixa com uma pistola .40. A arma fez os criminosos suspeitarem que Facchinelli - atirador profissional, segundo a SSP - era, na verdade, um agente da polícia e passaram a ameaçá-lo de morte.

Segundo a Polícia Federal, a pistola .40 é de uso restrito de policiais, mas a legislação prevê exceções, como os praticantes de tiro. “Está sendo averiguado se a vítima possuía Guia de Trânsito de Arma de Fogo”, disse Silveira. 

Ameaçado pelos assaltantes, o empresário tentou escapar saltando do carro já em movimento. Pouco depois, a sua namorada foi obrigada a desembarcar e os criminosos fugiram com o carro. A estudante teria, então, pedido ajuda a um motorista que passava pela rodovia e conseguido que ele a deixasse em um posto policial.

O empresário foi encontrado caído na faixa de rolamento pelos policiais. Com o resgate acionado, Facchinelli foi levado ao Hospital Geral de Guarulhos, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Os agentes também encontraram o carro, abandonado pelos criminosos. Dentro dele, ainda estavam os pertences da vítima: uma carteira, um coldre, uma pasta e um celular. 

A Polícia Civil solicitou perícia no veículo e no local do crime. O depoimento da namorada de Facchinelli já está agendado no 1.º DP, mas a data não foi divulgada. Com a ajuda dela, os policiais esperam identificar os autores do crime. “Vamos mostrar o álbum fotográfico de suspeitos. Outra possibilidade é o retrato falado”, afirmou o delegado assistente da Seccional, José Francisco Cavalcante Filho.

Outro caso. Em outubro de 2013, a universitária Isabella Pavani Castilho Cruz, de 18 anos, também foi vítima da “gangue da batida” na mesma rodovia. Um carro bateu na traseira de seu veículo blindado, na altura do km 215 da Dutra, entre Guarulhos, onde ela estudava, e Arujá, onde a jovem vivia. Ao encostar o veículo e sair para ver o que havia ocorrido, Isabella foi rendida por três homens, que anunciaram um assalto. Um dos homens, no entanto, atirou na cabeça da jovem. Ela chegou a ficar internada durante quatro dias no hospital, mas não resistiu as ferimentos e morreu.

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