Empresário é morto após perseguir bandido na zona oeste de São Paulo

Josué Dantas Neto, de 54 anos, viu ladrão furtando o carro de um amigo em um estacionamento de Perdizes; depois de segui-lo por cerca de 2 quilômetros, acabou sendo baleado

O Estado de S. Paulo

03 de outubro de 2013 | 15h04

SÃO PAULO - O empresário Josué Dantas Martins Neto, de 54 anos, morreu nessa quinta-feira, 3, a tiros ao perseguir e tentar atropelar um assaltante que fugia a pé na Pompeia, na zona oeste da cidade. O acusado de atirar havia abandonado um carro roubado em um estacionamento a 2 km de distância.

A vítima foi atrás do bandido depois que flagrou um grupo de pelo menos três homens armados que fizeram um arrastão em estacionamento de Perdizes, na zona oeste, às 10h10.

Ao chegar à entrada da garagem em seu Honda CRV, ele viu os assaltantes saírem com um Chevrolet Cruze, um Hyundai Tucson e um Chevrolet Malibu. O empresário tinha um comércio de equipamento de laboratórios ao lado e usava uma vaga de mensalista. Dois dos carros eram de um diretor e um gerente de sua empresa.

Perseguição. Martins Neto seguiu um dos criminosos que estava no Cruze até o fugitivo bater em um gol modelo 1999, na Rua Epaminondas Lobo, onde estava estacionado. O ladrão perdeu o controle da direção, quase capotou, e ficou com a roda dianteira do Cruze presa na janela do Gol.

O suspeito saiu do volante e continuou a fuga a pé, por cerca de 100 metros, até chegar a altura do número 300 da Rua Félix Della Rosa. Nesse momento, o empresário o alcançou e o atropelou. A cena foi relatada à polícia por um pedreiro que estava na rua onde ocorreu o crime. Segundo ele, a vítima saiu do carro e deixou cair o celular, enquanto o suspeito se levantava. Os dois fizeram menção de entrar em luta corporal, mas o ladrão andou alguns passos para trás e deu pelo menos dois tiros.

Ao escutar os disparos, vizinhos foram para a rua, viram o suspeito fugindo a pé e chamaram a polícia pelo 190. A vítima chegou a gritar por socorro e conseguiu se arrastar até o seu carro. "Chama a polícia, chama a ambulância", teriam ouvido as testemunhas. Ele foi levado pelo Samu ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos. Os tiros teriam acertado a cintura da vítima.

Segundo o delegado titular do 7.º DP (Lapa), MarceL Druziani, onde o caso foi registrado, o empresário não estava armado "Todo os carros tinham seguro. Não foi uma atitude prudente fazer aquilo", diz Druziani. Martins Neto era casado e tinha um filho de 9 anos.

Câmeras. Imagens das câmeras de segurança mostram os bandidos dentro da garagem. Eles renderam funcionários e clientes - um deles era uma mãe com uma criança no colo que estava em frente ao caixa. Pela gravação, a polícia suspeita de que o grupo havia se preparado para o roubo e já sabia quais veículos iriam levar. O suspeito de ter matado o empresário, de acordo com a polícia, parece ser o mais experiente dos bandidos. Ele não mantinha o dedo no gatilho e agia calmamente.

O gerente da empresa da vítima, Warley Rodrigues de Oliveira, de 40 anos, foi ontem à tarde ao 7.º DP porque seu Tucson havia sido abandonado na Rua Rodrigues de Campos Leite, na Lapa. Ele se disse abalado com a perda do patrão, com quem trabalhava havia 25 anos.

A rua onde a vítima foi morta fica em uma área residencial do bairro. Os vizinhos se assustaram com o crime. O corpo de Martins Neto foi levado para o Instituto Médico-Legal (IML) para perícia. Ninguém havia sido preso até a noite de quinta-feira.

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