Empresário com patrimônio de US$ 100 mi liderava quadrilha

PF faz operação em cinco Estados e fecha cerco a quadrilha liderada por Juan Carlos Ramírez Abadía

Rodrigo Pereira, do Estadão,

20 de agosto de 2007 | 19h54

A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira, 20, mais nove integrantes de uma quadrilha especializada em traficar cocaína para a Europa a partir de uma ampla estrutura de produção e exportação de frutas montada no Nordeste brasileiro. Apontado como líder da organização, o colombiano Gustavo Duran Bautista foi preso sábado em uma fazenda no Uruguai com quatro comparsas e dois pilotos brasileiros que carregavam 485 quilos de cocaína pura, avaliada em US$ 31 milhões.   Um dos pilotos trabalhou para o megatraficante Juan Carlos Ramírez Abadía e a PF agora investiga se há ligação da quadrilha de Bautista com o cartel Vale do Norte, chefiado por Abadia.   Segundo a PF, Bautista tem patrimônio de pelo menos US$ 100 milhões no País e atuava legalmente aqui. "O grupo tinha fazendas no (Vale do Rio) São Francisco que não só produzia frutas como era reconhecida como empresa modelo no Nordeste", disse o delegado Luiz Roberto Ungaretti Godoy, do Departamento de Repressão a Entorpecentes da PF.   A empresa do grupo, Mariad Importação e Exportação de Gêneros Alimentícios Ltda, tinha em seu nome três grandes fazendas produtoras de frutas, uma empresa de exportação e alugava o hangar Marreco, no Campo de Marte - lacrado pelos federais.   Godoy explicou que uma das formas de camuflar o transporte da droga era escondê-la em fundos falsos das caixas de fruta exportadas para a Europa, em especial a Holanda.   No final do ano passado Bautista comprou uma fazenda na Bolívia e outra no Uruguai, onde foi preso no sábado. A droga seguia de avião da Colômbia para a Bolívia. Era então remetida, também em pequenos aviões, para o Brasil e outros países da América Latina. Bautista chegou a alugar um hangar inteiro em Campo de Marte, onde construiu uma empresa de taxi aéreo.

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