Empresário cai no conto do 'dólar negro' e perde R$ 160 mil

Um angolano e um camaronês, já presos, prometiam transformar as notas, trocando R$ 1 por US$ 1

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2012 | 03h03

Um empresário que estava hospedado em um hotel na Alameda Casa Branca, nos Jardins, zona sul de São Paulo, entregou em abril R$ 160 mil a uma dupla de golpistas, em troca de notas sem valor. Ele caiu no conto do "dólar negro". O angolano José Pedro de Oliveira e o camaronês Ismalia Koda, ambos de 32 anos, foram presos na terça-feira.

O golpe é complexo, mas já fez outras vítimas. O angolano disse ao empresário ser herdeiro de um líder da Costa do Marfim, assassinado na guerra civil. Disse ter ficado com milhões de dólares fornecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), a serem usados na redemocratização. As notas, porém, receberiam tratamento químico para ficarem negras, dificultando a identificação por criminosos.

Na outra ponta do golpe estava o camaronês, responsável por aplicar um outro produto químico que devolveria o aspecto original e o valor às notas negras. Hospedados no mesmo hotel, bem vestidos e com vocabulário impecável, eles convenceram o empresário a trocar R$ 1 por "US$ 1 negro", em um negócio aparentemente lucrativo (o dólar vale R$ 1,99). Eles montaram um "teatro", onde mostraram uma mala com o dinheiro "transformado" após a aplicação do produto. Também aplicaram substância alucinógena na vítima, que perdeu a noção da realidade.

Depois, os golpistas alegaram que o produto responsável pela transformação estava em falta e, por isso, não poderiam entregar os dólares "limpos" imediatamente. Depois de entregar o dinheiro, o empresário desconfiou e avisou a polícia, que enviou um investigador interessado em trocar R$ 25 mil. Os criminosos foram presos por estelionato e tráfico de drogas - tinham 820 gramas de maconha. O dinheiro não foi recuperado. O delegado Mauro Fachini acredita que mais pessoas tenham sido vítimas, mas, por vergonha, não denunciaram o golpe à polícia.

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