Empresário bate carro e dá voz de prisão a PMs

Com sinais de embriaguez, integrante da Ordem dos Parlamentares do Brasil dirigia em alta velocidade; colisão com Kombi feriu mulher

FABIANO NUNES, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2012 | 03h01

O empresário Fábio Claro Figueira de Melo, de 47 anos, é acusado de causar um acidente, se apresentar como parlamentar, dar voz de prisão para dois PMs e em seguida tentar suborná-los. O caso aconteceu na Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, na zona sul de São Paulo, na madrugada de ontem. Uma pessoa ficou ferida e ele foi preso com sinais de embriaguez.

Segundo a Polícia Civil, PMs viram o Volkswagen Bora do empresário, em alta velocidade, bater em uma Kombi, que foi arrastada por 50 metros. Houve um início de incêndio. Uma vendedora de 51 anos que estava no veículo e trabalha com a entrega de revistas foi retirada do carro e os policiais apagaram o fogo.

"Logo em seguida, os PMs foram conversar com o motorista. Ele gritava que era parlamentar, estava em um carro oficial e por isso não podia ser revistado", disse o delegado Armando Roberto Bellio, titular do 27.º DP (Campo Belo), onde o caso foi registrado. Na abordagem, os PMs disseram a Melo que ele seria preso se continuasse se negando a fornecer identificação. "Ele chegou a dar voz de prisão para os dois PMs, pois dizia ser parlamentar." Em seguida, descobriram que ele é integrante da Ordem dos Parlamentares do Brasil (OPB).

Quando estava na viatura, a caminho da delegacia, Melo teria oferecido aos PMs R$ 1 mil. No DP, descobriram que sua carteira de habilitação estava vencida desde 2010 e o carro tem R$ 11 mil em multas. O empresário já tinha passagens na polícia por falsificação de documentos.

Um exame clínico feito no Instituto Médico-Legal (IML) apontou que Melo estava embriagado - ele havia se negado a fazer o teste do bafômetro. O empresário foi indiciado por embriaguez ao volante, lesão corporal culposa (sem intenção), abalroamento, corrupção ativa, desacato e dirigir sem permissão.

Associação. Segundo a OPB, o empresário será expulso da entidade. Pelo crime inafiançável de corrupção ativa ele pode ser condenado de 2 a 12 anos de prisão. A advogada que acompanhou Melo durante a prisão não quis comentar a ocorrência.

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