Empresária mata atleta em disputa de racha

Lutador foi atropelado na calçada por Audi dirigido por motorista embriagada

TATIANA FÁVARO / CAMPINAS , O Estado de S.Paulo

19 Novembro 2011 | 03h04

O professor de jiu-jítsu Kaio César Alves Muniz Ribeiro, de 23 anos, morreu na madrugada de ontem em Campinas, no interior do Estado, após ser atropelado por um veículo que disputava um racha. Ribeiro havia saído da casa da namorada, Bruna Amaral, com quem completaria um mês de relacionamento hoje, e estava a caminho de casa, em um orelhão, quando o Audi A3 preto da empresária Adriane Aparecida Pereira Diniz Ignácio de Souza, de 42 anos, o acertou.

O atropelamento ocorreu por volta da 1h. Adriane foi presa. Ela estava acompanhada de um passageiro de 24 anos e disputava corrida em via pública - um crime de trânsito considerado gravíssimo - com o também empresário Fabrício Narciso Rodrigues da Silva, de 32, condutor de um Camaro amarelo.

Segundo informações da Polícia Civil e da Secretaria da Segurança Pública, policiais militares viram os dois veículos em alta velocidade, disputando racha no bairro Cambuí, sentido Norte-Sul. Em um curto intervalo, os policiais viram as luzes de freios dos carros serem acionadas. O Audi manobrou para a direita e um PM ouviu um forte impacto. O atropelamento ocorreu na calçada da Avenida Júlio Prestes.

De acordo com a Polícia Militar, o Audi bateu no orelhão, invadiu uma empresa e atingiu o muro da casa. Debaixo do portão da empresa, arrastado pelo impacto, a polícia encontrou Kaio Ribeiro, preso entre as ferragens. A PM acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Resgate do Corpo de Bombeiros. A vítima teve três paradas cardíacas antes de ser socorrida no pronto-socorro do Hospital Municipal Mário Gatti, onde morreu.

Bêbados. As Polícias Militar e Civil informaram que tanto Adriane quanto o passageiro que a acompanhava apresentavam sinais de embriaguez. Eles foram socorridos no Hospital Padre Anchieta, medicados e liberados. No Audi A3, policiais encontraram uma garrafa e uma lata de cerveja.

Segundo a polícia, a empresária concordou em fazer teste do bafômetro só quatro horas após o acidente - com o tempo, diminui o nível de álcool no sangue. Mesmo assim, o resultado foi de 0,42 miligrama de álcool por litro de ar expelido, acima do permitido pela lei (0,3 de miligrama por litro). A empresária foi levada para a Cadeia Feminina de Paulínia.

O motorista do Camaro fugiu após o acidente, mas voltou ao local momentos depois para observar e foi abordado por policiais. A PM informou que Fabrício da Silva tentou se livrar de uma lata de cerveja pouco antes da abordagem, mas ele e o passageiro exalavam cheiro de álcool e tinham sinais de embriaguez.

Silva se recusou a fazer teste do bafômetro e exame de dosagem alcoólica. Foi detido e permanecerá à disposição da Justiça, segundo informou a Secretaria de Segurança Pública. Os veículos e as carteiras de habilitação dos motoristas envolvidos foram apreendidos. O caso foi registrado como homicídio doloso, fuga do local de acidente, embriaguez ao volante e racha.

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