DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
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Empresa vai à Missão Paz e recruta engenheiro

Em uma das salas dos anexos da Igreja Nossa Senhora da Paz, no Glicério, analistas de Recursos Humanos e representantes de empresas de São Paulo buscam talentos entre os imigrantes e refugiados

Pablo Pereira, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2018 | 03h00

SÃO PAULO - A rotina da Missão Paz é intensa também com gente de outras nacionalidades. Em uma das salas dos anexos da Igreja Nossa Senhora da Paz, no Glicério, analistas de Recursos Humanos e representantes de empresas de São Paulo buscam talentos entre os imigrantes e refugiados.

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“Analisamos 40 pessoas, selecionamos 12 e queremos contratar 10, em dois grupos de cinco”, contou Mayura Okura, da empresa B2Blue, que trabalha com clientes como AmBev e Pão de Açúcar, na quinta-feira. “Encontramos aqui um engenheiro de ciências da computação”, disse a recrutadora no fim da tarde, ao encerrar as entrevistas com um grupo de imigrantes de Angola, Congo e Haiti.

“Já contratamos cinco pessoas em uma outra vez”, lembrou Mayura. “Foi uma ótima experiência porque são pessoas com muito interesse em avançar”, emendou. “Queremos também identificar aqueles que podem tornar-se líderes no trabalho.”

Desta vez, Mayura procurava operadores de prensa e gente para trabalhar com reciclagem de fábrica. Segundo o padre Paolo Parisi, coordenador do serviço de apoio aos imigrantes e refugiados da Missão Paz, nos últimos quatro meses, pelo menos 33 empregadores contrataram 130 pessoas com a ajuda nos técnicos e voluntários. Ele explica que o processo de encaminhamento dos imigrantes ao trabalho inclui uma palestra intercultural, quando os trabalhadores recebem informações culturais brasileiras e da legislação trabalhista do País.

De 2012 ao ano passado, foram mais de 14 mil participantes de palestras interculturais. De janeiro a abril deste ano, 355. Os dados desse trabalho mostram que o pico do movimento ocorreu em 2014, principalmente com a chegada dos haitianos. Naquele ano, foram 2.739 contratados por 816 empresas e 4.996 pessoas participaram de palestras interculturais. As tabelas mostram ainda que, em 2017, houve 355 contratações por 68 empresas.

País integra plano de auxílio do Vaticano

O Vaticano definiu ontem um plano de auxílio de ¤ 800 mil euros (aproximadamente R$ 3,4 milhões) para migrantes que tenham sido forçados a deixar a Venezuela e ir para outros países da região. O projeto, chamado “Pontes de Solidariedade”, inclui a ação de conferências episcopais da América Latina: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru.

A iniciativa é coordenada pelo Dicastério da Santa Sé para Desenvolvimento Humano Integral, segundo a agência de notícias internacionais Ansa. “O projeto nasceu para dar respostas concretas aos desafios postos pela emergência da migração em massa de venezuelanos”, explicou o superior-geral da Companhia de Jesus, Arturo Sosa.

De acordo com ele, o objetivo é “acolher, proteger, promover e integrar os venezuelanos obrigados a emigrar, em todas as fases de seu deslocamento, até o eventual retorno à pátria”. O plano de ação é de dois anos. Entre as ações previstas pelo programa estão alimentação, assistência médica e jurídica, alojamento e trabalho. “Será uma rede aberta a todas as pessoas em dificuldade, não apenas aos venezuelanos”, ressaltou Sosa.

Cáritas. As ações serão realizadas pelas pastorais dos migrantes e pela Cáritas, entidades que já atuam na assistência a refugiados no País. Apenas o Brasil já recebeu cerca de 90 mil venezuelanos, principalmente pelo Estado de Roraima.

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