Empresa sobrevoará bacia para investigar uso indevido de água

Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento, de Campinas, quer descobrir motivo de oscilações na vazão do Rio Atibaia

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2014 | 16h58

SOROCABA - Oscilações repentinas na vazão do Rio Atibaia, responsável pelo abastecimento de 95% da população de Campinas, levaram a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) a suspeitar de uso indevido do manancial. Na próxima quarta-feira, 2, um helicóptero levantará voo para fazer um rastreamento aéreo em toda a bacia, em busca de possíveis represamentos ou captações irregulares. Além da equipe da Sanasa, técnicos do Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE), órgão estadual, acompanharão as buscas.

Nesta sexta-feira, 27, a vazão do Atibaia estava em 5,02 metros cúbicos por segundo, mas na quinta-feira, às 19 horas, chegou a 3,9 m3/s, conforme a Sanasa. As quedas súbitas no nível do rio intrigam os técnicos. Uma das hipóteses é de que esteja havendo represamento ou retirada clandestina de água para uso industrial ou agrícola. A água pode estar sendo bombeada para encher açudes particulares. A reportagem passou pela área em voo comercial nesta sexta-feira e constatou que, além das represas do Cantareira estarem com praticamente 50% da lâmina d'água habitual, vários açudes em propriedades do entorno estão secos ou têm muito pouca água.

O Rio Atibaia é formado pelos rios Cachoeira e Atibainha, que são contribuintes do Sistema Cantareira. Nos últimos dias, o nível ficou tão baixo que, por duas vezes, foi necessária a liberação emergencial de água do Cantareira para não deixar Campinas sem abastecimento. O problema é que o sistema que abastece a Região Metropolitana de São Paulo também sofre com a crise hídrica: os reservatórios atingiram 21,1% da capacidade nesta sexta-feira, incluindo a reserva técnica conhecida como "volume morto".

Os técnicos da Sanasa não entendem o que está causando tanta oscilação e, por isso, optaram por investigar. O voo será custeado pela empresa. Nesta época, a vazão média do rio deveria estar em torno de 15 m3/s. O problema é que, desde o início do ano, choveu 300 milímetros a menos que a média. A Sanasa capta 3,5 m3/s para abastecer quase um milhão de pessoas em Campinas. Com a crise, a cidade esteve várias vezes na iminência de adotar o racionamento. A medida tem sido postergada na expectativa da volta das chuvas.

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