Empresa perde dados de motoristas paulistas e paralisa emissão de CNHs

A Empresa de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp) está tendo de reconstruir todo o banco de dados usado pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) para emitir Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs). A empresa perdeu o banco de dados e está usando backups para recarregar as informações. Por isso, há três dias nenhum cidadão com CNH paulista está conseguindo renovar o documento - e quem não tem não consegue tirar a carteira.

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

27 Abril 2013 | 02h06

O problema começou na manhã de quarta. Agora, quem vai até as sedes do Detran para fazer qualquer serviço relacionado às carteiras tem recebido orientação para dar meia volta e telefonar para o órgão antes de retornar. A falha impede todas as atualizações de informações do banco de dados, que são feitas quando os motoristas renovam a carta vencida, e também o registro de novos cadastros de motoristas.

Em um comunicado publicado na quarta-feira, o Detran afirmou que seus serviços estavam "temporariamente indisponíveis". Na quinta, a descrição mudou para "em manutenção". Só ontem o órgão pediu desculpas à população pelos transtornos, ainda ressaltando que não sabe quando o serviço vai voltar.

Já a Prodesp informou que "o trabalho que está sendo realizado no momento é de restauração do banco de dados". "Não há qualquer risco à integridade das informações, uma vez que todos os nossos sistemas passam por backups diários."

A nota segue dizendo que "desde o primeiro momento as equipes da Prodesp estão trabalhando para que o sistema retome seu funcionamento normal". "No momento, não há previsão para que isso ocorra." Até as 21h de ontem, no entanto, o serviço não havia retornado.

Queixas. Para os motoristas, além de ficarem reféns da volta do sistema para poderem dirigir com o documento em dia, há a insatisfação com a falta de informações. Na sede do Detran na Avenida do Estado, ao lado do Metrô Armênia, não é possível chegar nem perto dos guichês de atendimento. Fitas isolam a área e funcionárias orientam os cidadãos. "A autoescola havia marcado para hoje. Moro na Parada Inglesa (zona norte da capital), mas cheguei aqui e só recebi um papel com um telefone e me mandaram ligar antes de voltar aqui", disse o entregador Washington Olivera Rodrigues, de 23 anos, que tenta tirar a CNH.

Questões mais urgentes, no entanto, fazem os motoristas ficar revoltados. "Agendei minha vinda aqui pela internet faz semanas. Eu me programei para estar aqui hoje, paguei estacionamento, fiz tudo. Eles sabem que marquei hora. Deveriam ter me avisado", diz o corretor Marco Arantes, de 58 anos.

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