Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Instituto fundado por diretor do Teatro Municipal vence edital para administrar o espaço

Teatro terá orçamento de R$ 577 milhões até 2021. Secretaria de Cultura diz que não houve direcionamento na escolha da entidade

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2017 | 16h55
Atualizado 26 Julho 2017 | 23h20

SÃO PAULO - Um instituto fundado pelo atual diretor artístico do Teatro Municipal de São Paulo, Cleber Papa, venceu edital para administrar o espaço até 2018. O equipamento cultural, um dos mais importantes da cidade, terá orçamento de R$ 577 milhões até 2021.

A entidade vai substituir o Instituto Brasileiro de Gestão Cultural, organização social (OS) que deixará o Teatro depois de uma sucessão de denúncias de desvio de recursos envolvendo seus ex-dirigentes. 

O Instituto Casa da Ópera foi criado por Papa em 2006. Ele seguiu na entidade, em diversas funções, até o ano passado. A Casa da Ópera tem Rosana Caramaschi, sua mulher, como diretora artística. A entidade está em nome de um amigo do diretor, o advogado Maurício José Chiavatta, e a sede fica no mesmo endereço de uma empresa de Rosana, a Imagemdata. 

Conforme o Estado revelou em maio, a Prefeitura de São Paulo teve de mudar o modelo da disputa por falta de concorrência – um dos principais problemas apontados na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal que investigou em 2016 as fraudes no contrato da OS anterior.

Leia também: Prefeitura muda edital do Teatro Municipal por falta de concorrência

TCM suspende edital do Teatro Municipal

O novo edital para gerir o Municipal foi suspenso em maio pelo Tribunal de Contas do Município (TCM), que apontou irregularidades, como o critério que pontuava entidades com muito alcance na imprensa. O edital foi liberado dias depois, após ajustes feitos pela Secretaria Municipal de Cultura.

A pasta deixou de exigir que as entidades que desejassem disputar fossem qualificadas como OS. Até o edital, só a Casa da Ópera havia obtido tal qualificação. Depois, duas entidades disputaram o contrato: a Casa da Ópera, que obteve nota 9,05, e o Instituto Odeon, do Rio, com nota 6,1, que informou ainda estuda se recorrerá do resultado.

O Estado também recebeu denúncia sobre o edital, em abril, com informação de que Casa da Ópera venceria o certame – antes mesmo da publicação do edital. À época, a Casa da Ópera não havia se registrado como OS e também não se sabia se haveria outros concorrentes. 

Dois funcionários do Teatro disseram à reportagem, sob condição de anonimato, que Papa estaria escolhendo, meses antes da publicação do resultado, quem continuaria empregado no local depois que a empresa vencedora fosse anunciada. 

“Ele deixava claro que estava no comando da situação. Quando precisava de algum favor, nos chamava para uma conversa e dizia: me ajude que você está dentro”, disse uma funcionária que ainda atua no Teatro.

Respostas. Em nota, a secretaria ressaltou a mudança no edital que permitiu a inclusão de concorrentes. Disse ainda que Papa não ocupa cargo público nem influenciou a escolha. “A Casa da Ópera ganhou o certame por ter apresentado a proposta com menor preço, mais diversificada em termos de projetos e por ter maior expertise.” 

Já Papa ressaltou que não vê estranheza no certame, mas “coincidências profissionais”. Ele destacou que a mulher é diretora artística e não preside a Casa da Ópera. Também afirmou que a empresa Imagemdata está inativa. Sobre as escolhas de futuros funcionários, disse que tinha “intenção” de seguir à frente do Teatro, mas que isso dependeria do aval da secretaria. “Mas eu gostaria de continuar.” Rosângela não foi localizada pelo Estado até as 23h desta quarta.

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