Ricardo Nogueira/Efe
Ricardo Nogueira/Efe

Empresa detecta contaminação de água em decorrência de incêndio em Santos

Alteração prejudica a qualidade da água no Canal do Estuário e causa a morte de milhares peixes

Luiz Alexandre Souza Ventura, Especial para O Estado

05 Abril 2015 | 09h40

Atualizado às 22h50.

Relatório enviado pela Ultracargo para a Cetesb na noite deste domingo, 5, aponta contaminação do mar do Canal do Estuário, o que pode ter causado a morte de milhares de peixes. O documento preliminar indica que o incêndio alterou a qualidade da água.

Segundo o gerente da agência ambiental Cetesb em Santos, Cesar Eduardo Padovan Valente, "a água usada para conter as chamas foi despejada no estuário, pelo sistema de escoamento da Ultracargo, contaminada com combustível, provocando alteração da temperatura e saturação do oxigênio, provavelmente causando a morte dos peixes", diz. De acordo com o gerente, entre os animais mortos estão bagres, garoupas e outras espécies, com até 70 centímetros de comprimento. Uma empresa está recolhendo os peixes mortos.

O documento, que foi solicitado à Ultracargo pela Cetesb, também detectou também alteração na qualidade do ar, no entorno do local do incêndio. Um equipamento do Exército deve começar a fazer nesta segunda-feira, 6, o monitoramento do ar na região.

Após mais de 78 horas de trabalho ininterrupto do Corpo de Bombeiros, dois tanques ainda estão em chamas. Na madrugada deste domingo, 5, as equipes conseguiram extinguir o fogo em um dos tonéis, na área industrial da Alemoa. Os bombeiros mantêm a estratégia de resfriamento constante da área, jogando água - retirada do mar pela embarcação Governador Fleury e transferida aos caminhões tanques -, em conjunto com uma espuma especial que tenta abafar o fogo. No entorno do incêndio, os tonéis esvaziados são preenchidos com água, para formar um isolamento.



O Executivo santista pediu ajuda ao governo federal, por meio do vice-presidente Michel Temer, e também à Petrobrás. A estatal enviou caminhões com uma espuma específica para combate a fogo em combustível. Já operam no local três veículos das empresas Basf, Petrobrás e Braskem. É prevista a chegada de mais dois caminhões autobombas da Petrobrás, com maior pressão e capacidade de água, para auxílio no combate às chamas. Cada viatura trabalha de 12 a 15 horas por vez, em esquema de revezamento. A Petrobrás enviou ainda três rebocadores.

Para acompanhar o incidente e integrar os trabalhos, o governo de São Paulo montou em Santos um gabinete de crise, com participação do vice-governador, Márcio França (PSB), os secretários Saulo de Castro (Governo), José Roberto Rodrigues de Oliveira (Casa Militar), Alexandre de Moraes (Segurança Pública) e Patrícia Iglecias (Meio Ambiente),o comandante do Corpo de Bombeiros, Marco Aurélio Alves Pinto, o subsecretário de Comunicação, Marcio Aith, o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), Secretarias Municipais de Segurança, Defesa Civil, Meio Ambiente e Saúde. Exército, Marinha e Aeronáutica apoiam a ação.

"Não há necessidade de remoção dos moradores da área, a população pode ficar tranquila porque a evolução está sendo positiva com todas essas medidas preventivas. Se houver necessidade, estamos preparados com a união de todas as forças para qualquer situação de emergência.", disse o prefeito de Santos, que também falou sobre os efeitos da fumaça produzida pela queima dos combustíveis, situação monitorada pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB). "Não há registro de prejuízos à saúde da população", garantiu Barbosa.

Moradores de bairros próximo, principalmente Piratininga e São Manoel, recebem avisos oficiais por telefone, e visitas às casas, sobre uma possível evacuação. A Prefeitura afirma que está preparada para a situação, com base na legislação obriga o Poder Público a contar com um plano de emergência, que podemos ser acionado quando necessário.

O pátio tem 58 tanques, que armazenam etanol, gasolina, óleo diesel, óleos vegetais, fertilizantes líquidos e outros produtos químicos, inclusive solventes. Além do combate ao fogo, as equipes estão fazendo a inertização do conteúdo de alguns tonéis e transferindo o que está armazenado na área para outros locais. No total, a Ultragargo é dona de 175 tanques, espalhados pela região.

Meio Ambiente. A Cetesb informou na sexta-feira, 3, que foram registradas mortes de peixes no canal do estuário da Alemoa, mas a Companhia minimizou o incidente, sem explicar os motivos. Segundo a Prefeitura de Santos, a situação está em análise e um laudo será emitido em 30 horas. De qualquer forma, a população foi orientada a não consumir os pecados.

Para Antônio Carlos Vendrame, professor, engenheiro e especialista em segurança no trabalho, saúde e meio ambiente, o maior risco está em possível vazamento do combustível para o solo. "A coluna de fumaça assusta porque é grande e escura, mas a quantidade de oxigênio na atmosfera e na Serra do Mar é muito maior. Por isso, a possibilidade de dano ambiental é desprezível. O alerta é necessário para a possibilidade de vazamento do combustível no solo. Essa sim seria uma catástrofe", explica Vendrame.

Multa. A secretária estadual do Meio Ambiente, Patrícia Iglecias, esteve no local do incêndio neste sábado, 4, e falou sobre possíveis penalidades à Ultracargo. "Existe uma legislação estadual. E também é possível aplicar Decreto Federal o nº 6.514. A multa chegaria a R$ 50 milhões, mas aplicação depende de uma análise mais detalhada", diz.


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