Empresa de obra que desabou e matou 10 sofre novo embargo

Ministério Público do Trabalho faz vistoria em construção em Santo Amaro e verifica falta de segurança no local

Artur Rodrigues, O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2013 | 02h05

O Ministério Público do Trabalho (MPT) constatou falta de segurança em uma obra da empresa Salvatta Engenharia, em Santo Amaro, na zona sul, e o local foi embargado. A empresa é a mesma que trabalhava no prédio embargado que desabou matando dez operários em São Mateus, na zona leste.

Segundo o MPT, após o acidente em 27 de agosto, foi aberta uma investigação sobre a empresa. Uma inspeção à obra de Santo Amaro foi feita na última sexta-feira. "Foram constatadas diversas irregularidades na obra, em razão do não atendimento das normas regulamentares em saúde e segurança", afirma nota do órgão.

Diante dos problemas, auditores do Ministério do Trabalho e Emprego que acompanhavam a inspeção embargaram a obra, na Rua Barão do Rio Branco. Segundo funcionários da empresa, a construção está em estágio avançado. Um ofício seria enviado para a Subprefeitura de São Mateus, comunicando o problema. Nesta segunda-feira, 9, esse documento ainda não havia sido recebido pela Prefeitura.

Na tarde desta segunda, 20 funcionários da Salvatta foram à sede do MPT, no Paraíso, na zona sul, para prestar depoimento a procuradores do órgão e a representantes da Justiça Trabalhista sobre a obra de Santo Amaro.

Ao Estado, eles disseram que há riscos, e se queixaram que a empresa não honra com os compromissos trabalhistas. "Quero voltar para casa porque tenho medo que aconteça comigo o que aconteceu com os outros colegas", disse um rapaz de 28 anos, que pediu para não ter a identidade revelada. "A obra está em mau estado, em mau funcionamento. A gente corre risco de morrer lá", completou.

O operário Josilan Silva, de 35 anos, contou que ficou traumatizado após a morte de amigos em São Mateus. "Nós queremos ir embora, e eles não querem dar baixa na carteira", afirmou. "Eles querem que a gente faça acordo para perder a multa de 40% da rescisão", disse.

O Estado ligou para a Salvatta na tarde desta segunda, mas ninguém atendeu aos telefonemas. Sobre a obra em São Mateus, anteriormente a empresa havia afirmado que não tinha feito intervenções no local, jogando a responsabilidade sobre o dono do terreno. Nesta semana, a Polícia Civil deve intimar o proprietário do imóvel em São Mateus, Mostafá Abdallah Mustafá, os representantes da Salvatta e responsáveis pela rede de lojas Magazine Torra Torra, que havia alugado o espaço.

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