Gilberto Amendola / Estadão
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Emicida traz repertório de samba em bloco da zona norte de SP; avenida tem venda de 'xixi flex'

Músicas surpreenderam quem esperava por hip hop; cantor Criolo também participa do desfile; vendedores levaram a novidade do Xixi Flex para as meninas poderem se aliviar de pé

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2020 | 16h04

SÃO PAULO - O QuilomboLab iniciou o seu cortejo pela Avenida Dumont Villares, na zona norte, surpreendendo quem esperava uma apresentação focada em hip hop.  Depois do aquecimento do grupo Major Lazer SoundSystem – esse sim focado em rap e hip hop, Emicida assumiu o trio-elétrico com um repertório de sambas de terreiro, sambas de partido-alto e outras variações pouco vistas em blocos de carnaval em São Paulo.

Logo de cara, Emicida deu o seu recado, dizendo que o tom do carnaval deve ser o de respeito ao próximo. “Ao gênero do próximo, a raça do próximo, a religião do próximo...” O cantor Criolo também participa do cortejo. 

“Não importa se é samba ou se é rap. Tudo que traz felicidade tem a ver com o carnaval”, disse Ismala Carneiro da Silva, 18 anos. “O importante é o carnaval abraçar todos os gostos”, comentou Cassia Costa, 25 anos. 

No trio-elétrico, também estava o vereador Eduardo Suplicy (PT). No início do trajeto, também foi puxado pelos foliões um coro de 'fora Bolsonaro'.

Avenida tem venda de Xixi Flex

Na Dumont Villares está sendo vendido um produto batizado de Xixi Flex (um tubinho para facilitar a ida das meninas ao banheiro). O produto está sendo vendido por R$ 2 ( é um produto descartável, claro). Quem compra um kit com 5, leva um lencinho umedecido. “As meninas estão adorando. É melhor do que ficar se equilibrando nesses banheiros químicos sujos”, disse a vendedora Luma Aleixo, 32 anos.

De acordo com  Luma, a ideia não é incentivar que as mulheres usem o produto para fazer xixi na rua. "Além de não ser uma atitude legal, é contra a lei e rende multa. É para usar o banheiro, mas com mais segurança e sem fazer malabarismos", afirmou a ambulante.

Desde 2017, a capital paulista tem uma regra que multa, em R$ 500, quem for flagrado urinando em via pública. A Secretaria Municipal das Subprefeituras de São Paulo informou que 36 pessoas foram autuadas ao serem flagradas urinando em vias públicas no sábado, 22. 

Na mesma avenida,  Abraham Woroniecki, 33 anos, está aproveitando para fazer pregação religiosa. Seu “mega cartaz” tem dizeres contra as igrejas. “Não estou aqui para atrapalhar o carnaval de ninguém, apenas dizer que existe uma alternativa que vai além dos quatro dias e da cerveja. Essa alternativa é Jesus”,  falou. “Não as igrejas. Jesus”, completou.

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