Embu: suspeito deve ser ouvido por psicólogos

Polícia quer que menino de 9 anos, que estaria envolvido na morte de Miguel Ricci, seja avaliado

Josmar Jozino, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2010 | 00h00

A Polícia Civil quer que o menino de 9 anos suspeito de matar acidentalmente o colega de classe Miguel Cestari Ricci dos Santos, da mesma idade, no Colégio Adventista de Embu das Artes, na Grande São Paulo, passe por avaliações psiquiátricas e psicológicas. "Vamos encaminhar o pedido nesta semana para a Vara da Infância e da Juventude de Embu", disse o delegado Pedro Arnaldo Buk Forli, do Setor de Homicídios da Delegacia Seccional de Taboão da Serra.

Para o delegado, é necessária uma intervenção na vida psicossocial do menino. "Psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais precisam analisar e estudar essa criança. Mas não para fins de internação. São técnicos especializados da Vara da Infância e da Juventude, com certeza saberão se o menino atirou acidentalmente e chegarão à verdade."

O psiquiatra forense Guido Palomba disse que os pais do menino é que deveriam ser ouvidos. A criança é inimputável e mistura fantasia e realidade. "Os pais têm de contar o que aconteceu. Devem ser chamados à responsabilidade e explicar como o filho arrumou a arma. O menino que matou e o que morreu são vítimas", argumentou Palomba.

A Polícia Civil ouviu os pais do menino. Eles negaram o envolvimento do filho e disseram que nunca tiveram arma. Mas, para a polícia, depoimentos de testemunhas reforçam os indícios de que o suspeito atirou em Miguel. Dois colegas de classe viram ele e Miguel entrando na sala após atividade no pátio. Uma menina ouviu um disparo e em seguida viu o suspeito deixar a classe e esconder a arma na mochila.

O uniforme e a mochila do suspeito foram apreendidos e serão periciados para saber se neles há vestígio de pólvora. "Temos convicção de que ele atirou acidentalmente e está mentindo. Não temos provas e os pais dele não colaboram", acrescentou Forli.

A tragédia aconteceu na manhã do dia 13, dentro da sala de aula da 4.ª série. Miguel foi atingido à queima-roupa por um tiro de revólver calibre 38. Os policiais já ouviram 40 pessoas. Outros pais e crianças devem ser ouvidos hoje.

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