Embriagado, vice-prefeito de Embu-Guaçu atropela homem e vai preso

Após acidente, Fernando Branco Sapede supostamente tentou fugir, mas foi impedido por uma testemunha que entrou na frente do carro e tirou a chave do contato

Bruno Lupion, do estadão.com.br,

13 de abril de 2011 | 05h01

SÃO PAULO - O vice-prefeito de Embu-Guaçu, município da Grande São Paulo, Fernando Branco Sapede, de 48 anos, foi preso às 22 horas de terça-feira, 12, após atropelar um homem de cerca de 50 anos na Estrada Municipal Antonio Gerrassi, no bairro Santa Fé, enquanto dirigia embriagado seu GM Celta pela via de terra batida.

 

O teste do bafômetro indicou que Sapede tinha 1,6 miligramas de álcool por litro de ar expelido, teor cinco vezes maior que o aceitável pela lei. Segundo populares, o vice-prefeito tentou fugir sem prestar socorro, mas foi impedido pelo caseiro Fábio Aparecido Gabriel, 29 anos, que se jogou na frente do veículo, tirou a chave do contato e acionou a polícia.

 

"Vi o motorista acelerando para fugir, entrei na frente e ele foi obrigado a parar", disse Gabriel. "Na hora, ele falou que não tinha atropelado ninguém e saiu do carro, e eu aproveitei para tirar a chave do contato", afirmou. Segundo Gabriel, o vice-prefeito, ao perceber a chegada da polícia, se jogou ao lado da vítima para indicar que estava prestando socorro.

 

Os policiais militares notaram sinais de embriaguez em Sapede, como voz pastosa e olhos baixos, e o convidaram a fazer o teste de bafômetro na sede do 25º Batalhão Metropolitano, onde foi constatado o teor alcoólico superior ao permitido.

 

O delegado de Embu-Guaçu ordenou a prisão de Sapede por embriaguez ao volante e arbitrou fiança de R$ 1.200. A mulher do vice-prefeito, Miriam Franco da Mota, foi à delegacia, pagou o montante e levou o marido e o carro envolvido no acidente para casa. Sapede também cedeu uma amostra de sangue, encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) para realização de outro exame de dosagem alcoólica.

 

O senhor atropelado sofreu escoriações na cabeça, testa e rosto, recebeu atendimento médico no pronto-socorro de Embu-Guaçu e foi liberado.

Segundo as testemunhas, ele já prestou serviços de pedreiro na casa de Sapede, que fica a cerca de um quilômetro do local do acidente, mas não foi reconhecido pelo vice-prefeito.

 

Antecedentes

 

Esse não é o primeiro caso de atropelamento envolvendo Sapede. Em março de 2010, o vice-prefeito atropelou um menino de 13 anos que andava de bicicleta na porta de casa, no quilômetro 42,5 da rodovia SP-216, também em Embu-Guaçu.

 

Sapede dirigia uma Blazer prata no sentido bairro quando, em uma lombada, perdeu o controle da direção e subiu na entrada da casa, onde o adolescente estava. Sapede se recusou a fazer o teste do bafômetro, mas testemunhas relataram sinais de embriaguez.

 

Em abril do mesmo ano, o vice-prefeito, que também é médico, foi detido em flagrante por falsidade ideológica. Segundo investigação da Polícia Civil, Sapede emprestava seu carimbo e registro de médico (CRM) para um colega de 30 anos que trabalhava em sua clínica e não tinha diploma de médico reconhecido no Brasil.

 

Texto atualizado às 7 horas.

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