Futura Press
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Embora erguida, aeronave continua a interditar Viracopos

Equipes da empresa Centurion Cargo e da Infraero trabalham na remoção do avião; 400 voos foram cancelados até as 11h

Paulo Claro / Campinas - Especial para o Estado de S.Paulo,

15 Outubro 2012 | 03h00

Texto atualizado às 16h15.

CAMPINAS - O defeito no pneu de um avião cargueiro durante pouso no sábado à noite ainda bloqueia a única pista do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, e tumultua a vida de milhares de passageiros. Segundo a Infraero, a operação para remover o cargueiro está em andamento, mas não há previsão de quando a pista será liberada. Entre as 20h de sábado e as 11h desta segunda-feira, mais de 400 voos foram cancelados.

Cerca de 70 pessoas acompanham a operação na tarde desta segunda-feira para retirar o cargueiro MD-11, da Centurion Cargo a pista de Viracopos. A aeronave, com 67 toneladas de eletrônicos e produtos manufaturados, começou a ser removida domingo à noite, mas o equipamento utilizado no transporte, uma espécie de guincho de aviação, apresentou problemas e teve de ser trocado. Chamado de Recovery Kit, é composto de três carretas e um colchão de ar, usado para levantar aeronaves sem danificar a fuselagem. Uma nova máquina, alugada da TAM Linhas Aéreas, saiu de São Paulo e chegou em Viracopos nesta manhã. No começo da tarde, a aeronave estava erguida, mas ainda não tinha sido movida de lugar.

O pneu do cargueiro MD-11 da Centurion Cargo, que vinha de Miami, nos Estados Unidos, estourou após a aterrissagem, às 20h de sábado. Não houve feridos. Após o acidente, a companhia Centurion Cargo não removeu o avião da pista.

 

Segundo a empresa, a demora para o início dos trabalhos de desbloqueio da pista ocorreu pela necessidade de deslocamento de equipamentos específicos para o reboque, que foram enviados de São Paulo, e também pela complexidade da operação. A carga foi retirada na manhã de domingo.

A ranhura feita na pista pelo trem de pouso do avião cargueiro já foi reparada, segundo a empresa, mas ainda faltaria limpar o local, que ficou sujo de óleo derrubado pela aeronave. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) enviou equipe de 15 pessoas para monitorar a operação.

A TAM informou que seus passageiros também foram levados de ônibus para aeroportos de São Paulo. Em nota, a Azul Linhas Aéreas informou que estava "prestando todo o auxílio necessário aos clientes, de acordo com a resolução da Anac, reacomodando-os da melhor maneira possível". Já a Gol informou que parte dos passageiros foi levada a São Paulo por via terrestre e cancelou as multas para quem quiser mudar ou cancelar o voo.

Azul. Responsável por 95% dos voos em Viracopos, a Azul Linhas Aéreas é a empresa mais prejudicada pela interdição da pista. A Azul afirmou que os atrasos só devem ser eliminados entre quarta e quinta-feira e que suspendeu todos novos voos desta semana para normalizar a situação.

A empresa ofereceu ônibus para levar passageiros aos Aeroportos de Cumbica e Congonhas, onde foram realocados em outros aviões. Mas durante toda noite de sábado e o dia de domingo houve muita confusão em Viracopos por causa da interdição. Muitos passageiros passaram a madrugada no aeroporto e reclamavam de descaso.

Problemas. Para o professor de Gestão de Aviação Civil Marcus Reis, o fechamento tão prolongado de Viracopos expõe a falta de infraestrutura dos aeroportos. "Não é um problema só de Viracopos", afirma.

Ele defende que aeroportos com volume tão elevado de voos como o de Campinas tenham equipamentos a postos para esse tipo de emergência. "O número de voos em Viracopos cresceu muito mais do que sua infraestrutura permite", diz. "Se tem acidente no Santos Dumont (no Rio), com risco de contaminação do mar ou algum problema ambiental, tudo bem haver demora para liberar pistas. Mas em Viracopos não foi o caso.

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