Em vídeo, filho de casal de PMs sai do carro sozinho

Polícia analisa imagens de prédio onde o adolescente Marcelo Pesseghini parou carro no dia dos assassinatos

Luciano Bottini Filho, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2013 | 02h11

Um vídeo de 36 horas ininterruptas, gravado por uma câmera de segurança de um edifício na frente do local onde o veículo da mãe do estudante Marcelo Pesseghini ficou estacionado, mostra o garoto de 13 anos saindo sozinho do carro perto de seu colégio, no dia em que foram assassinados quatro membros da sua família, na Brasilândia, zona norte de São Paulo.

As imagens estão sendo analisadas pela polícia. O estudante é suspeito de ter matado os pais, o casal de PMs Luiz Marcelo e Andréia Pesseghini, a avó materna, a tia-avó e, depois de ter ido à escola, se suicidado.

Segundo a polícia, as provas indicam cada vez mais que o garoto é autor dos crimes. A investigação aponta que ele teria matado a família na noite do dia 5 ou no início da madrugada do dia 6, dirigido o carro da mãe de madrugada até o colégio e assistido à aula. Em seguida, o estudante voltou de carona com um pai de um amigo e se matou.

Anteontem, de acordo com agentes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), foram ouvidos os depoimentos mais convincentes: três colegas de Marcelo disseram que o garoto confessou ter matado os pais. Os adolescentes, acompanhados dos pais e advogados, até choraram. Eles deram detalhes que revelaram outra face de Marcelo, que no início foi descrito por professores como bom filho e aluno.

Os colegas disseram que não acreditaram quando o amigo contou que matou os pais. Eles também afirmaram que Marcelo evitava mostrar a mochila. Na data do crime, ele não levou material escolar. A mochila foi apreendida pela polícia e conteria dinheiro, cartão de crédito, papel higiênico e perfume - supostamente para plano de fuga.

Para a Polícia Civil, falta somente a chegada dos laudos para o caso ser encerrado. Segundo o delegado do DHPP, Itagiba Franco, os laudos do Instituto Médico-Legal e do Instituto de Criminalística ficarão prontos na semana que vem. Ontem, ele ouviu mais uma testemunha.

Outro depoimento considerado importante, o da médica de Marcelo, Neiva Damaceno, está programado para hoje. Por causa da doença degenerativa (fibrose cística), ela acompanhava o menino desde que ele tinha um ano de idade. Cerca de 35 pessoas já foram ouvidas.

Franco ainda pediu um parecer do psiquiatra forense Guido Palomba, para traçar um perfil psicológico do garoto. Até agora, ele só acompanhou a investigação pelo noticiário.

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