Reprodução | 24.10.2015
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Em vídeo, jovem preso por PM relata agressões

O suspeito Afonso Carvalho de Oliveira Trudes, de 23 anos, contou detalhes de violência sofrida após ser detido por roubar R$ 60

Alexandre Hisayasu, O Estado de S. Paulo

24 de outubro de 2015 | 23h38

SÃO PAULO - Em um vídeo gravado dentro de uma sala do 103ºDP (Itaquera), o assaltante Afonso Carvalho de Oliveira Trudes, de 23 anos, deu detalhes das agressões que sofreu dos policiais militares que o prenderam após roubar R$ 60 e um celular de uma loja de sapatos. O comparsa dele conseguiu fugir.

 

Na gravação, ele conta que usou um revólver de brinquedo para roubar a loja e fugiu de bicicleta, mas logo foi detido pelos PMs, na última terça-feira. "Jogaram a viatura em cima de mim, me jogaram no chão. Eu disse que não precisava me algemar e aí um polícia me deu um tapa na cara", disse.

Segundo o rapaz, os policiais não foram direto para a delegacia. "Os polícia pararam em frente ao bombeiro da Avenida Luís Mateus, com choque, uma faca do rambo e um canivete e começaram a me ameaçar. Colocaram a faca no meu peito", contou Trudes. Os PMs queriam que o ladrão entregasse uma arma de verdade. Como ele dizia que não tinha, foi agredido com socos, chutes e choques nas partes íntimas.

 

Na delegacia, o delegado Raphael Zanon desconfiou quando o assaltante demonstrou dificuldade para sentar na cadeira. Depois de ter garantias de que não teria mais contato com os policiais que o prenderam, Trudes contou todos os detalhes das agressões que sofreu.

 

Depois de receber um laudo do Instituto Médico Legal (IML) que comprovou as agressões, mas não a tortura com choques, Zanon prendeu o sargento Charles Otaga, em flagrante, por tortura. A notícia se espalhou e logo a delegacia foi cercada por vários PMs contrários à prisão do colega. O delegado pediu escolta de agentes do Grupo de Operações Especiais (GOE) para garantir a sua segurança.

 

Dois deputados estaduais, coronel Telhada (PSDB) e delegado Olim (PP), também foram à delegacia. Cada um defendeu a respectiva corporação. O secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, negou briga entre as polícias e atribuiu à confusão entre os parlamentares. Os dois deputados negaram. Olim afirmou que "houve cenas lamentáveis na porta da delegacia porque, hoje, a polícia não tem comando". Moraes não comentou.

 

O juiz de primeira instância, Claudio Juliano Filho, decretou a prisão preventiva do sargento Otaga por considerar que o policial agiu com "perversidade". A decisão foi revogada na noite de sexta-feira pelo desembargador Ronaldo Sérgio Moreira da Silva que, em caráter de liminar, concedeu habeas corpus para que o PM responda as acusações em liberdade.

 

Segundo a Polícia Civil, o inquérito contra Otaga será relatado à Justiça até quarta-feira. O delegado Zanon abriu investigação para apurar a conduta dos dois parceiros do sargento durante a ocorrência.

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