Em vez de trabalhar, detentos vão para praia

Quando decidiu usar as tornozeleiras eletrônicas, a SAP previa que a maior utilidade do aparelho seria justamente para controlar os presos que todos os dias saem dos presídios para trabalhar em São Paulo - cerca de 4 mil a 5 mil. Esse deveria ter sido o caso do preso Wender de Souza de Assis. No dia 2, ele e outros 160 presos deixaram às 8 horas a Penitenciária 1 de Hortolândia para trabalhar na prefeitura de Campinas. Deviam ser acompanhados por um funcionários da prefeitura, que fiscalizaria o trabalho de limpeza e conservação de ruas e praças da cidade.

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

14 Março 2011 | 00h00

Por volta das 18h30, quando os 161 detentos voltaram ao presídio, o Núcleo de Inteligência da Coordenadoria dos Presídios da Região de Campinas recebeu a informação de que Assis, em vez de trabalhar na limpeza pública, havia participado de um roubo. A vítima - um advogado - o reconheceu como o homem que havia invadido seu escritório.

O secretário de Cooperação nos Assuntos de Segurança de Campinas, Carlos Henrique Pinto, disse que as ocorrências registradas com presos do regime semiaberto no município são pontuais e pouco significam estatisticamente. "É consumo de entorpecente, denúncia de furto, mas tudo isso foi descoberto e houve penalidade", diz. "Quando essas pessoas terminam de cumprir a pena é que ficam mais ociosas, pois no regime semiaberto ainda encontram trabalho."

Areia. Além de roubos, muitos detentos não apareceriam no trabalho - nem todos os patrões dão queixa. Outros, como no caso de três presos de Mongaguá, em vez de trabalhar, preferiam ir à praia. Flagrados, os três tiveram o benefício cassado. Todos tiveram de retornar para um presídio de regime fechado - aquele em que o preso não sai da cadeia em hipótese nenhuma. Essa é a punição para quem comete falta grave depois de obter o benefício de cumprir a pena em regime semiaberto.

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