Em vez de reparar rede de luz, funcionários roubavam os fios

Policiais acharam uma tonelada de cabos de cobre com empregados de consórcio responsável por consertos na rede

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

06 Junho 2013 | 02h04

Luzes que se apagam por causa de furtos permanentes de fios de cobre, deixando as ruas de São Paulo às escuras. As causas da péssima qualidade dos serviços de iluminação pública na cidade, um dos campeões de reclamação na Ouvidoria Municipal, começaram a ser desvendadas ontem na capital com ajuda da polícia. Funcionários do Consórcio SP Luz que atuavam nos reparos da iluminação pública foram flagrados furtando cabos de fios de cobre para vender em ferros-velhos.

Na tarde de ontem, policias do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) prenderam quatro funcionários da Alusa, empresa integrante do consórcio, e dois do ferro-velho que comprava a mercadoria. O homem de 60 anos que comandava a quadrilha trabalhava havia 12 na Alusa.

Segundo a polícia, o esquema se iniciava quando a luz queimava e o cidadão chamava o reparo. A equipe da Alusa era mandada para dar um parecer sobre o defeito e consertá-lo. Os funcionários informavam que havia ocorrido furto de cabos e recebiam novos fios para substituí-los. Os fios trocados eram levados ao ferro-velho para que o cobre fosse derretido e vendido no mercado negro. Cada metro tem entre 1 e 2 quilos, sendo que cada quilo é vendido no mercado a cerca de R$ 12.

Com o grupo preso ontem, havia cerca de uma tonelada de fios de cobre. "Vários funcionários da empresa iam a esse ferro-velho. A estimativa dos policiais era de que dez equipes trabalhavam no esquema de furto", afirmou o delegado Wagner Giudice, diretor do Deic.

Prefeitura. Na tarde de ontem, o secretário de Serviços da Prefeitura, Simão Pedro, levou à Secretaria de Segurança Pública mais de 3,5 mil ocorrências que somam cerca de 574 km de fios furtados entre janeiro e abril - média de 140 km por mês. O prejuízo estimado no primeiro quadrimestre deste ano foi de R$ 6,3 milhões. Em maio, a ação dos ladrões continuou e foram furtados 274 km. "Eles tinham conhecimento técnico e equipamentos, como caminhões grandes e ferramentas. Podiam agir com precisão e agilidade", diz Giudice.

Levantamento feito pela Polícia Militar, no entanto, apontou que os 643 pontos apontados pela corporação como escuros e entregues à Prefeitura não coincidiam com os lugares com elevada ocorrência de furtos de fios.

Em nota, o Consórcio SP Luz informa que já abriu sindicância para apurar os fatos e vem tomando todas as medidas necessárias para coibir o crime e restabelecer o fornecimento de luz nos lugares afetados.

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