Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

Em um ano, queixas sobre buracos crescem 32% na cidade de São Paulo

Foram 198,7 mil reclamações ao longo do ano passado, ou mais de 22 a cada hora; em 2017, haviam sido 147,6 mil. Prefeitura diz que ampliou verba, com uso até de recursos de multas

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2019 | 03h00

SÃO PAULO - Embora tenha sido eleita uma das prioridades da Prefeitura na zeladoria urbana, com o programa Asfalto Novo, as reclamações sobre pavimentação e asfalto cresceram 32% na cidade de São Paulo em 2018, em relação ao ano anterior. Nos serviços de atendimento ao cidadão da capital paulista, esses tipos de queixa lideram. Foram 198,7 mil reclamações ao longo do ano, ou mais de 22 a cada hora no ano passado. Em 2017, haviam sido 147,6 mil.

São relatos como o do funcionário público Aparecido Firmino da Silva, de 55 anos. Por duas semanas, ele esperou que agentes da Prefeitura fossem tapar um buraco na frente da sua casa, na Lapa, zona oeste paulistana. Até que eles vieram. “Foi no dia de uma tempestade”, lembra ele. “(Os agentes) tiraram a água de dentro do buraco com um rodo e ficaram trabalhando”, afirmou. “Eu não sou engenheiro, mas imagino que isso não vai durar nada.”

Outros aguardam muito mais. “Faz mais de dois meses que estou esperando. Tenho reclamação, número de protocolo, e nada. O buraco só aumenta”, diz a aposentada Sueli Florindo Zanini, de 64 anos, que tem uma cratera na frente de seu condomínio, no Brás, zona leste, que foi aberta no ano passado e até agora atrapalha o trânsito. 

Na Rua Cerro Corá, no Alto de Pinheiros, zona oeste, a aposentada Neusa Guerreiro de Carvalho, de 88 anos, passou a cobrar o conserto no asfalto na frente do seu prédio pelas redes sociais. “Coloquei no Facebook”, conta a moradora. 

Recapeamento.

As queixas são espalhadas por toda a capital. A Mooca, também na zona leste, bairro que mais teve reclamações, concentra 14,9 mil pedidos, ou 7,5% do total - a média é de 11 mil por subprefeitura. 

Quem transita pelo tradicional reduto italiano da zona leste tem uma opinião sobre o motivo da liderança. Enquanto os corredores principais do bairro, como a Rua da Mooca e a Avenida Pais de Barros estão um “tapete”, fruto do programa de recapeamento da Prefeitura, o Asfalto Novo, as demais vias, com casas operárias, são marcadas pelos buracos ou pelas ondulações decorrentes de serviços mal executados. 

“Recapearam as avenidas, mas as ruas, não. Tem dois buracos aqui, mas não sei se já reclamaram. O pessoa se queixa, corta pneu e tudo”, afirma o borracheiro João Gomes, de 61 anos.

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Faz dois meses que espero. E o buraco só aumenta
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Sueli Zanini, Aposentada

Ao se analisar as contas do Município, é possível ver que os gastos do orçamento com asfalto aumentaram em 2018. Dados da Secretaria Municipal da Fazenda mostram que a pavimentação e o recapeamento das vias cresceram mais de quatro vezes em relação a 2017, de R$ 75 milhões para R$ 321 milhões. 

O responsável pelo aumento, no entanto, foi o programa Asfalto Novo. Sem ele, os recursos teriam sido de R$ 59 milhões - ou seja, diminuição de gastos. Lançado pelo ex-prefeito João Doria (PSDB) em 2017, o Asfalto Novo tem a meta de recapear mais de 400 quilômetros de ruas e avenidas da cidade.

 

Em nota, a Prefeitura informou que passou a usar outra fonte de recursos para o serviço: a verba arrecadada com multas de trânsito. Assim, o total de gastos em 2018 foi de quase R$ 550 milhões, segundo nota da gestão Bruno Covas (PSDB). O texto diz que foram recapeados 265,8 quilômetros de vias. Mas a administração não deu explicações para as queixas de paulistanos terem crescido mesmo com mais verba para reparos.

Escolhas.

Na quinta-feira, 14, em entrevista à Rádio Eldorado, do Estado, Covas disse que o recapeamento “tem um gasto relativamente alto”, uma vez que inclui reconstrução de guias e sarjetas, e está sendo feito “nas ruas mais movimentadas, nas ruas mais desgastadas”. Já o programa Tapa-Buraco “é um programa paliativo”. “O que resolve mesmo é o Recap (Asfalto Novo). Só que não adianta você achar que vai recapear 17 mil quilômetros de vias em quatro anos. É (serviço de) 10, 15 anos”, afirmou. 

Desde os anos 1950, a Prefeitura tinha uma usina de asfalto na Barra Funda, zona oeste. Ela foi desativada este ano, após negociações relacionadas a problemas ambientais que resultaram em Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público Estadual

O material para as vias passou a ser fornecido por uma empresa terceirizada. Covas afirmou que nova licitação, para contratar mais um fornecedor, está em andamento. 

Como reclamar

Onde reclamar

Aplicativo SP156; Portal de Atendimento SP156; Central SP156, Praças de Atendimento das Prefeituras Regionais e Descomplica SP São Miguel: Rua Dona Ana Flora Pinheiro de Sousa, 76, Vila Jacuí, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

Prazo e responsabilidade

A Prefeitura estima o prazo de 45 dias para resolver cada situação - e em sua página oficial destaca que esse serviço específico não é feito em dias de chuva. Ressalta ainda que, caso o buraco tenha sido aberto por Sabesp, Comgás ou outra concessionária de serviços públicos, a responsabilidade por fechar o buraco e fazer o conserto do asfalto é dessas instituições e, por isso, a solicitação será encaminhada e finalizada.

Taxas e onde tirar dúvidas

Não se cobram taxas pelo serviço. Para dúvidas, consulte online através deste link

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.