Em um ano, média de problemas na linha mais lotada do Metrô cresce 14%

Dados obtidos com exclusividade pelo Estado mostram que nº de ocorrências na Linha 3-Vermelha é o maior pelo menos desde 2008

Renato Machado e Eduardo Reina, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2010 | 00h00

A média mensal de problemas com trens da Linha 3-Vermelha do Metrô é a mais alta pelo menos desde 2008 e cresceu até 14% em relação a 2009, segundo Relatório de Ocorrências do Sistema, obtido com exclusividade pelo Estado. A situação provoca paralisações e aumento no tempo de viagem dos passageiros. Os trens também estão ficando mais tempo parados no pátio e há três anos não conseguem atingir a meta de circulação estipulada pelo próprio Metrô.

Essas ocorrências envolvem principalmente problemas em portas, freios, fornecimento de energia e ventilação. Entre esses episódios estão desde paradas de alguns minutos até casos em que os trens têm de ser esvaziados e levados para o pátio. No dia 21, uma pane em um dos trens provocou um efeito em cascata e parou toda a linha por mais de duas horas, afetando 250 mil pessoas.

A Linha 3-Vermelha é o ramal de metrô mais carregado do mundo. Foram transportados 1,4 milhão de passageiros por dia no primeiro semestre. Nos horários de pico, a ocupação chega a 9,8 passageiros por metro quadrado - o número aceitável pelas organizações de saúde é 6. "Qualquer sistema que opera no limite está sujeito a apresentar falhas", diz o ex-engenheiro do Metrô e mestre em Transportes Horácio Augusto Figueira. "A Linha Vermelha está no limite, o que aumenta a possibilidade de falhas."

O Metrô nega que as falhas registradas recentemente tenham relação com o volume de passageiros transportados e, procurado pela reportagem, não quis comentar o Relatório de Ocorrências do Sistema. A companhia também informa que elevou os gastos com manutenção - de R$ 541 milhões no ano passado para R$ 621 milhões (projeção deste ano) - e lembra que desenvolve rigorosos processos de manutenção - preventiva, corretiva e preditiva.

Mas, de acordo com o relatório, cada trem está andando menos que a meta do Metrô - ou seja, estão ficando mais tempo parados no pátio. Os índices são calculados separadamente para cada modelo que circula na linha - Mafersa e Cobrasma. Composições da frota da Cobrasma, por exemplo, deveriam circular por no mínimo 355 mil quilômetros por mês, mas chegam a 334 mil. As da Mafersa deveriam rodar 321 mil km, mas atingiram 305 mil.

Os trens da Mafersa foram os que registraram o maior aumento na quantidade de problemas (14%) e passaram de uma média mensal de 449 ocorrências para 515 - apesar de a frota ser mais nova. A Cobrasma também apresentou aumento, de 575 para 635 (10%). Também rodam na Linha 3-Vermelha seis novos trens do modelo CAF, a maioria ainda em fase de testes.

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