Em um ano, ele virou o cara das boas festas

Mix de promoter e organizador, Emmanuel Vilar está à frente de três baladas e reúne até 1.300 festeiros numa noite

Valéria França, de O Estado de S. Paulo,

07 Abril 2012 | 21h02

SÃO PAULO - A noite paulistana tem um roteiro de festas animadas organizadas por grupos de amigos, que vem crescendo nos últimos cinco anos. Em geral, são jovens interessados em se divertir muito e gastar pouco que resolvem montar a própria balada. Voodoohop, Talco Bells, Brega Naite e Putz! estão entre esses eventos que acontecem periodicamente em endereços alternativos da cidade.

 

Nesse cenário, há um ano e meio surgiu o publicitário Emmanuel Vilar, de 30 anos, mais conhecido como Mano, que trouxe para São Paulo a Sem Loção, festa que é sucesso de público no Recife. E que pegou por aqui a ponto de atrair famosos, como as atrizes Leandra Leal e Alice Braga.

 

A Sem Loção está na sua 14.ª edição – já chegou a reunir 1.300 pessoas numa noite, o dobro de uma Talco Bells. Seu sucesso deu origem a dois novos eventos, I Feel Love e Javali, que estreou no dia 16 de março. "Achei que faltava uma balada assim em São Paulo. Um lugar para a galera se divertir, se esbaldar na pista, com um som de casamento, só hits", diz Mano. O evento mensal já ganhou como a melhor festa da cidade em duas eleições da imprensa paulistana.

 

Ferveção. A primeira edição da Sem Loção foi em um salão da Rua 13 de Maio, no Bexiga, região central da cidade. E, como era novidade, muito baladeiro saiu do Clube Glória, localizado na mesma rua, para ir até lá. Hoje o ingresso custa R$ 35. Não tem cartão de crédito nem conforto. O ar-condicionado, às vezes, não é suficiente. Mas a festa ferve. Quem chega às 5 horas da manhã tem a impressão de que ela está apenas começando.

 

No comando do som ficam os fundadores da festa – os DJs residentes Lala K, Kleber K e Copy, do grupo Golarrolê. E há sempre um convidado surpresa. Ninguém famoso, mas sempre muito competente para fazer a pista dançar. "Nas primeiras edições da festa, só se encontrava o amigo do amigo do Mano. Ele conhece muita gente", conta o jornalista Julio Caldeira, de 38 anos, que hoje está na equipe de DJs da Javali.

 

Não é exagero. "Eu sou do tipo que faço amizade até em elevador", diz o publicitário. "Mano participava de um grupo de teatro na adolescência. Isso ajuda", explica seu pai, o economista paraibano Márcio Vilar, de 64 anos. "Ele é agitado. Quando tinha 6 anos, as meninas não paravam de ligar para casa", diz sua mãe, a ginecologista paraibana Graça Souto, de 64.

 

Olhos verdes, 1,80 metro de altura e bem-humorado, Mano chama atenção de homens e mulheres. Assumidamente gay – para decepção de muitas mulheres –, odeia guetos e circula bem por todas as tribos. "O sucesso das festas que organiza está na mistura de público", diz Caldeira.

 

A divulgação feita pelas redes sociais e no boca a boca chegou aos ouvidos de empresários de peso da noite. Alexandre Youssef, dono do Studio SP, por exemplo, fechou no fim do ano uma parceria com Mano para a realização de uma edição da festa na filial da casa no Rio, o Studio RJ.

 

Também houve uma reunião, sem muitos frutos, com Facundo Guerra, sócio de casas paulistanas famosas, como Lions Club, Z Carniceria e Vegas, na época em que o empresário montava o Cine Joia, na Liberdade. "A ideia era fazer uma casa de shows. Entrei em contato com o Mano. Todo mundo gosta de música pop, que é o som da Sem Loção", diz Guerra. "Mas antes de abrir uma casa fico pensando nas lacunas, no que está faltando na noite, não no que já existe."

 

Mano segue um caminho, digamos, mais intuitivo. As duas primeiras festas tinham parcerias – a Sem Loção com o Golarrolê e a I Feel Love com o DJ Camilo Rocha. O Javali é o primeiro projeto independente. E tem sua cara: "Aqui os excessos são bem-vindos (a galera vai produzida) e diversão não rima com carão."

 

"Antes da Sem Loção, o Mano estava sem rumo", lembra sua irmã, a jornalista Ludmila Vilar. "Na época, não tinha um p... no bolso", confirma ele, que depois de trabalhar em três grandes empresas sabia não ter o perfil para empregos formais. E foi em uma festa na cobertura de um prédio na Rua da Consolação que viu a DJ Lala K tocando. "Bati o olho nela e pensei: é a Xuxa do Recife. Sabia que daria certo trazê-la para São Paulo com a Sem Loção", conta. "A festa cresceu tanto que os amigos mais próximos começaram a reclamar. Pediram que abrisse outra. Foi o que eu fiz. E está dando certo."

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