Em três horas, vereador nomeia 30 vias da 'Tattolândia', na zona sul da capital

Ruas, pontes, vielas e praças da região da Capela do Socorro saem da condição de 'inonimadas'

Diego Zanchetta, de O Estado de S.Paulo,

03 de maio de 2012 | 01h01

SÃO PAULO - Em menos de três horas, o vereador Arselino Tatto (PT) conseguiu dar nome, nesta quarta-feira, 2, para 30 ruas, pontes, vielas e praças na Capela do Socorro, região da zona sul apelidada de "Tattolândia", por causa da influência política da família. Do passarinho João de Barro ao índio ativista Ângelo Kretã, morto há mais de 30 anos em acidente de carro no Paraná, Tatto fez diferentes homenagens ao dar endereço oficial a centenas de moradores de ocupações pobres como o Jardim São Francisco e a Chácara do Sol.

 

O petista, que tenta um sétimo mandato seguido em outubro, também usou nomes simples: "Praça da Família" e "Travessa Caminhando" substituíram vias de terra com endereço numerado (Rua 1, Viela 3, etc). A noite de "batismo" de novas ruas paulistanas ocorreu em sessão extraordinária da Câmara Municipal que teve ainda concessão da Medalha de Anchieta para o apresentador Rodrigo Faro, pedida pelo vereador Agnaldo Timóteo (PR), e viela da zona leste nomeada como Travessa do Lagarto Réptil, projeto do parlamentar Zelão (PT) aprovado por unanimidade.

 

Após o feriado prolongado, os vereadores se dedicaram durante mais de cinco horas a votar e debater 71 projetos de nomes de novas ruas e de concessões de honrarias. Cada parlamentar pôde indicar ontem um projeto na sua região para nomeação de rua ou homenagem. O bispo da Igreja Universal Souza Santos (PSD), por exemplo, deu ao dono da escola de idiomas Wizard, Carlos Wizard Martins, o título de cidadão paulistano.

 

E teve até quem ganhou duas homenagens no mesmo dia: Wadih Mutran (PP) deu nome de praça e de avenida localizadas no Rio Pequeno, zona oeste, ao médico abolicionista Miguel Vieira Ferreira (1837-1895). Outros parlamentares optaram por mudar nomes de prontos-socorros e de escolas na periferia ou de ruas já com nome. Não houve acordo, porém, para votar o projeto do vereador Francisco Chagas (PT) que concedia a Medalha Anchieta ao candidato do PT à Prefeitura, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad.

 

Artifício. Dar um endereço oficial a quem não consegue receber encomendas ou cartas há anos pode se tornar um poderoso trunfo em ano eleitoral. Hoje é praticamente impossível localizar com GPS alguma rua sem nome entre as 91.369 ruas, avenidas e praças de São Paulo. Lojas e redes de eletrodomésticos também não fazem entregas em endereços "inonimados".

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