'Em três anos, bazares tendem a sumir'

Por que a mudança de calendário? Estamos apenas ajustando o desfile à realidade da maioria das marcas. Nesta época, outubro, as empresas já estão preparando o preview (a pré-temporada) de inverno. Como a SPFW só ocorria em janeiro, elas faziam projeções de quanto e o que precisariam produzir. Era uma aposta, um risco. E isso muitas vezes levava a excesso de produção. É esse excesso de mercadoria que abastece bazares e liquidações fora de época. Só no Brasil existe bazar. Em outros países, o que se vê é outlet, ou seja, local que vende coleções passadas mais em conta.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2012 | 03h10

Então é por isso que no Brasil a liquidação de inverno começa muito antes de acabar a estação? Sim. As grifes precisam se livrar das peças que não vendem para dar lugar aos novos produtos. Eu acho que em três anos os bazares tendem a sumir e as liquidações serão como no resto do mundo, quando acabar a estação.

Mas não é muito cedo mostrar as coleções de outono- inverno em outubro? Com o fenômeno da fast fashion, as marcas estão cada vez mais preocupadas em fazer produtos. Quinzenalmente, precisam apresentar novas mercadorias nas lojas. Hoje, as roupas não são tão diferentes de uma estação para outra. E isso se deve muito à tecnologia, que, por exemplo, fabrica couro de verão e de inverno, As divisões de primavera-verão e outono-inverno são mais conceituais.

O que isso significa? Na verdade, essas duas temporadas são estratégicas. O mercado ainda não achou outra forma para informar ao público sobre as tendências mais fortes que vão ditar as coleções durante o ano. Acho que, com o tempo, também isso muda.

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