Em SP, um caixa eletrônico é roubado por dia

Em um em cada quatro casos, bandidos usam explosivos; com medo, estabelecimentos comerciais pequenos já pedem retirada de equipamentos

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2011 | 00h00

JORNAL DA TARDE

A Grande São Paulo registrou desde o começo do ano 122 casos de caixas eletrônicos atacados por ladrões, o que significa quase um por dia. Só na capital houve 69 crimes desse tipo. No interior, foram 53. O levantamento, obtido pela reportagem, mostra que em uma em cada quatro ocorrências os criminosos usaram explosivos. Com medo, empresas de menor porte já têm pedido aos bancos para desativarem esses equipamentos.

O último caso ocorreu na madrugada de ontem, na Vila Sônia, a 400 metros de uma delegacia. Criminosos usaram explosivos para arrombar um caixa eletrônico de uma agência do Banco do Brasil na Avenida Francisco Morato. PMs da base ao lado do distrito policial foram até o banco, mas não conseguiram prender ninguém. O dinheiro foi deixado na frente das máquinas.

Os dados mostram também o que já é evidente para quem acompanha o noticiário: os casos têm crescido mês a mês. Em janeiro, na capital, foram registrados seis casos. No mês seguinte, foram 17; em março, 19; em abril, 20. Nos primeiros 11 dias deste mês, houve sete ataques. No interior, também houve crescimento: 10 em janeiro, 29 em fevereiro, 30 em março, 40 em abril e 13 neste mês (até ontem).

Os bancos são o principal alvo dos bandidos, de acordo com o levantamento: 54 dos 122 casos foram ataques a agências bancárias. Depois, vêm os mercados (24), postos de gasolina (14), interior de empresas (12), entre outros locais (veja quadro).

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, a PM tem feito operações em regiões onde há concentração de estabelecimentos com caixas eletrônicos. As rondas têm ocorrido de madrugada, com bloqueios policiais e abordagens de veículos.

Em nota, a Federação Brasileira dos Bancos (Febrabran) diz que o setor investiu em equipamentos "robustos", com "elevado grau de resistência", com o objetivo de aumentar a segurança dos mesmos.

Comércio. Os casos frequentes de ataques têm feito estabelecimentos comerciais pedirem retirada ou desativação dos caixas. Na Vila Madalena, zona oeste da capital, uma drogaria está sem o serviço de caixa 24 horas há pelo menos um mês. Os proprietários temem ataques durante o dia ou ainda danos ao imóvel provocados por explosivos em ataques durante a madrugada.

Um dos funcionários contou que, logo após a desativação dos caixas, muitos clientes reclamaram, principalmente por se tratar de um estabelecimento bem perto do metrô. "Os equipamentos estão aqui, mas cobrimos com lonas e fizemos um bilhete dizendo que por tempo indeterminado os caixas ficarão sem funcionar", disse.

Após se tornar uma vítima, E.G., gerente de uma farmácia na zona leste que teve caixas explodidos, disse que não quer mais trabalhar com esse tipo de serviço. Em uma madrugada de abril, E. acordou com um barulho definido por ele como um "trovão". Por causa da explosão, o teto de gesso foi danificado e muitos medicamentos foram inutilizados.

 

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